Os treinadores de futebol da américa latina mais talentosos de todos os tempos

Não creio que haja um treinador de futebol neste mundo que não tenha sido, no mínimo, xingado pela torcida. O torcedor é passional, descontrola-se num estalar de dedos, basta um resultado negativo para que o treinador seja hostilizado. No entanto, toda equipe depende profundamente da condução de um profissional que a observe em detalhes e encontre as melhores disposições individuais para que o coletivo saia ganhando.

São muitos os treinadores latino-americanos que fizeram e fazem história. Em geral, são profissionais de personalidade forte e, na maioria das vezes, ex-jogadores que em seus clubes foram líderes. Este é o caso do saudoso Helenio Herrera (Buenos Aires, 10 de abril de 1910/Veneza, 9 de novembro de 1997) que teve uma carreira modesta como jogador, mas como treinador foram dezessete títulos grandes títulos, tornando-se um dos técnicos mais bem-sucedidos da história. Herrera fez escola no futebol, sendo um dos mais influentes de todos os tempos. Foi Herrera quem primeiro cobrou os créditos sobre o desempenho de suas equipes. Sua carreira foi toda construída na Europa, basicamente Portugal, França e Espanha. Treinou equipes como o Atlético de Madrid, Deportivo La Coruña, Belenenses, Barcelona, Inter de Milão, além das seleções da França e Espanha. Dentre os títulos de maior expressão, conquistou quatro canecos na Espanha, por Atlético de Madrid e Barcelona; com a Internazionale foram três títulos, além de um bicampeonato da Liga dos Campeões. Em janeiro de 2017, Herrera foi consagrado como um dos dez maiores treinadores desde a fundação da UEFA em 1954.

A carreira como jogador foi bem curta, cinco anos e três clubes, Newell’s Old Boys, Instituto e Argentino de Rosário, entre 1975 e 1980, ano em que larga a zaga e assume o Newell’s como treinador, clube no qual passou doze anos e conquistou seus primeiros títulos. Falamos de Marcelo Bielsa, El Loco Bielsa como foi apelidado em razão do seu temperamento explosivo e ações inesperadas em campo e nos bastidores. Entre 1998 e 2004, foi treinador da seleção argentina, conquistando a medalha de ouro na Olimpíada de 2004. Em 2007, assumiu a seleção chilena operando uma intensa reformulação, classificando o Chile para a Copa de 2010.

Ocorre que Bielsa e Jorge Segovia, um importante dirigente chileno e recém-eleito presidente da Associação Chilena, trocaram acusações graves, Segovia bradava que Bielsa era um treinador patético e Bielsa retribuia, acusando Segovia de ter manipulado o resultado das eleições. No ano seguinte, 2011, El Loco deixa o comando da seleção do Chile e parte para a Europa. Treinou o Athletic Bilbao, onde se tornou um ídolo, vez que reconduziu a equipe basca às finais da Liga da Europa e da Copa do Rei. Depois vieram o Olympique de Marselha, Lazio e Lille, clube nos quais Bielsa não se demorou; mais uma vez, suas ações pelos bastidores o levaram a deixar essas equipes. Em 2018, foi contratado pelo Leeds, clube alçado por Bielsa à elite do futebol inglês, depois de dezesseis anos longe da Premier League. Se há duas coisas que Bielsa sabe fazer, essas coisas são treinar com maestria suas equipes e indispor-se com dirigentes.

Telê Santana da Silva é um caso único no futebol brasileiro e talvez mundial; é considerado o maior treinador da seleção brasileira de todos os tempos, mesmo amargando derrotas em duas copas do mundo, 1982 e 1986. Suas seleções, especialmente a de 1982, jogavam um futebol brilhante, foi toda uma geração de craques que sob o comando de Telê, tornou-se ainda mais espetacular. Telê tinha controle absoluto do emocional de seus comandados, rigoroso e afável ao mesmo tempo, agia como um pai que procurava extrair o melhor de seus filhos. Se computadas todas as resenhas que buscavam equilibrar o jogador psicologicamente, teríamos algo como um bônus de futdados, um dossiê ou uma cartilha do futebol.

Conquistou títulos por quase todos os clubes que treinou, mas foi à frente do São Paulo que Telê venceu suas duas principais competições, Libertadores da América e Mundial interclubes, 1992 e 1993, um bicampeonato inesquecível. Nestes anos, foi eleito o melhor técnico de futebol do mundo. Uma curiosidade, Telê ganhou como jogador o troféu Belfort Duarte por ficar 200 jogos consecutivos sem sofrer uma expulsão sequer. Telê Santana faleceu em 21 de abril de 2006.

Um brilhante meio-campista, um excepcional treinador. Sem o menor exagero, este é Marcelo Gallardo, um vitorioso. Como jogador, ganhou títulos por todos os clubes em que atuou e como treinador nada indica que será diferente. O argentino nascido em Merlo, em 18 de janeiro de 1976, encerrou sua trajetória como atleta profissional pelo Nacional do Uruguai em 2011, como campeão. No mesmo ano estreou como técnico da mesma equipe uruguaia e no seu primeiro campeonato disputado levantou a taça. Em 2014, Gallardo torna-se treinador do River Plate, e nesse mesmo ano, conquistou a Copa Sul-Americana. Em 2015, sagrou-se campeão da Recopa Sul-Americana e da primeira edição da Supercopa Euramericana, ainda no fantástico 2015, Marcelo Gallardo conquista sua primeira Libertadores da América. Em 2018, conquista pela segunda vez a Libertadores numa final emocionante contra o arquirrival Boca Juniors. Gallardo foi eleito o melhor treinador da América do Sul pelo Jornal El País em 2018, 19 e 20. O futuro promete.

Cada vez mais profissionais, os treinadores de futebol são hoje protagonistas de fato. Não são mais adereços à beira do gramado indicando para onde e quem deve se deslocar. São gestores de qualidades que sequer os atletas sabem possuir, são os grandes responsáveis por desenhos táticos e ajustes emocionais.

Uma colaboração de Sergio Rocha