Muito papel picado e nenhum gol: Corinthians e Santos não saem do zero em Itaquera.

Por Giovanni Luque

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Apesar do zero no placar, Corinthians e Santos fizeram um jogo muito interessante, especialmente no que diz respeito às filosofias de jogo impostas pelos treinadores.

Técnico da melhor campanha do Paulista, Jorge Sampaoli montou o time com 2 zagueiros de origem (Gustavo Henrique e Felipe Aguilar) e o volante Alison completando a linha de 3 defensores. A partir da defesa, a equipe tinha 6 jogadores no meio de campo, incluindo os dois laterais, que se alternavam nas posições do setor, deixando o paraguaio Derlis González como o único atacante.

Porém, a proposta de jogo de sair tocando a bola desde a zaga, não funcionou, pois o Timão avançou seus três atacantes para pressionar a saída e roubar a bola, dificultando a aproximação do Peixe. O botucatuense Clayson, Pedrinho e Boselli, substituindo o lesionado Gustagol, com a ajuda de Sornoza e Júnior Urso, deram trabalho ao Santos.

O jogo de xadrez dos professores estava, realmente, muito interessante. Percebendo que o Corinthians pressionava demais e não deixava o Santos jogar, Sampaoli criou uma solução (paliativa), que durou até suas alterações do intervalo. Alison voltou à volância e os alas voltaram a ser laterais, dando ou, pelo menos, tentando dar maior constância defensiva à equipe.

O planejamento de Fábio Carille funcionou e o Alvinegro da capital dominou as ações do primeiro tempo, mesmo não tendo maior posse de bola (62% a 38% pro Santos). Mesmo que, quando estava com a bola, chegava com mais perigo, faltou uma melhor pontaria aos comandados de Carille.

Para muitos, o melhor primeiro tempo do Corinthians no ano de 2019. Mas havia ainda o segundo e Sampaoli encontrou outro caminho pro Peixe parar de sofrer: atacando o rival. Ao invés de se fechar e garantir o empate, o argentino sacou dois volantes (Jean Lucas e Alison) e colocou dois homens de frente (Cueva e Rodrygo), lançando o Alvinegro praiano ao ataque.

Com isso, o jogo melhorou, pois, o Santos possuía maior ofensividade, enquanto o Corinthians tinha mais espaço para atacar. E foi assim que surgiram as melhores chances do jogo. Vagner Love e Boselli obrigaram Vanderlei a fazer boas defesas e Cássio precisou intervir nas finalizações do artilheiro Jean Mota, Rodrygo e de González.

Apesar da falta de gols, os mais de 40.000 corinthianos presentes na Arena Itaquera puderam assistir a um bom espetáculo, principalmente por conta dos trabalhos táticos dos dois times.

No próximo domingo, pelo Paulista, o Corinthians, com a classificação bem encaminhada, recebe o Oeste em Itaquera.  Antes, na quarta, enfrenta o Ceará, lá em Fortaleza, pelo 1º jogo da terceira fase da Copa do Brasil. Já o Santos, que não perde há 6 jogos, recebe o Novorizontino, na próxima sexta feira, no Pacaembu.

*Dia de festa e de muito papel picado jogado pela torcida do Corinthians, mas também dia de luto pela morte de Dona Ivone Bachi, mãe do técnico Tite. Força, Tite!

Giovanni Luque é estudante de jornalismo e colaborador do Acontece Botucatu