Projeto de Extensão da FMVZ/Unesp propõe reflexões sobre o cerrado

O projeto de extensão universitária intitulado “O cotidiano das crianças e os animais do cerrado”, desenvolvido pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, câmpus de Botucatu, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, sob a coordenação da professora Elizabeth Moreira dos Santos Schmidt, concluiu suas atividades nesse mês de dezembro de 2018.

Desenvolvido desde o mês de março, o projeto trabalhou com alunos de 1º a 5º ano das escolas municipais de ensino fundamental Hernani Donato (215 alunos) e Leonor Bicudo Vizenzzotto (186 alunos).

O objetivo do projeto foi promover a educação ambiental dos alunos de maneira multidisciplinar e interativa, construindo coletivamente as atividades a partir das informações e vivências sobre o cerrado.

As duas escolas municipais foram selecionadas para participar do projeto por estarem situadas em áreas de cerrado. “Nossa meta era que as crianças, a partir dos seus saberes, pudessem transformar seus conhecimentos e entender melhor o lugar onde elas vivem e estudam e, dessa forma, valorizar a preservação dessa área”, explica a professora Elizabeth. “O objetivo final é que esses conhecimentos façam parte da vida delas e que sejam acessados no futuro, pois o cerrado é segundo maior bioma do Brasil e, certamente, o mais maltratado”.

Em sua primeira fase, o projeto buscou descobrir o que as crianças já sabiam sobre o cerrado. “Elegemos o tatu galinha como animal símbolo e organizamos rodas de conversa perguntando se sabiam o que é o cerrado e se conheciam outros animais do bioma”, conta a professora Elizabeth. “Na sequencia, desenvolvemos um trabalho com as professoras para ouvir os saberes que elas tinham sobre o cerrado. A partir daí, passamos a construir uma proposta de trabalho”.

Segundo a docente da FMVZ, cada escola teve uma dinâmica própria de trabalho. Na Hernani Donato, com o apoio da diretora Cátia Sardinha e da coordenadora pedagógica Patrícia Lima, todos os professores da escola se envolveram no projeto. Os animais do cerrado foram personagens das aulas de Inglês e de jogos e problemas nas aulas de Matemática. Alunos do segundo ano compuseram uma canção sobre o cerrado na aula de Música e a turma do 5º ano montou uma peça de teatro sobre a importância da preservação do cerrado. Uma feira cultural foi realizada em outubro para apresentar todas as atividades do projeto aos pais e familiares.

“Receber o projeto em nossa unidade escolar foi muito importante para o desenvolvimento do conteúdo pedagógico relacionado ao Meio Ambiente, com nossos alunos refletindo acerca do ambiente em que vivem, oportunizando sua interação, compreensão e ação com o mesmo”, comenta Cátia, a diretora da escola. “Enquanto gestora,  observei que os professores envolveram-se com o projeto e realizaram diversas atividades interdisciplinares, que refletiram de forma positiva na aprendizagem dos alunos, através dos saberes relacionados ao bioma do cerrado. Esse projeto veio de encontro ao trabalho realizado há três anos pela escola com o Projeto Ibiaçã-Nascente, que procura cuidar e refletir sobre a preservação da nascente que pertence ao espaço escolar”.

Na escola Leonor Bicudo Vizenzzotto, com o apoio da diretora Cláudia Lopes e da coordenadora pedagógica Andréia Destro, as atividades do projeto foram conduzidas pela educadora ambiental Fernanda Campagner, médica veterinária formada pela FMVZ. As crianças visitaram áreas de cerrado, o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas) e a cooperativa de reciclagem de Botucatu. A partir das visitas, começaram a construir materiais como histórias em quadrinhos, desenhos, poesias e crônicas com temas ambientais relacionados ao cerrado.

Essa produção foi reunida em vários pequenos livros feitos pelos alunos, com o tema cerrado. Todo o material foi apresentado num evento realizado na escola no dia 02 de dezembro, para que as famílias pudessem conhecer o projeto. Para o evento, as crianças ajudaram a construir uma maquete do cerrado, com animais em papel-marchê e fizeram máscaras representando os animais.

A professora Elizabeth considerou o projeto bem sucedido. “Hoje, as informações sobre o cerrado fazem parte do dia-a-dia dessas crianças. Além disso, nosso projeto foi contemplado com duas bolsas de iniciação à extensão universitária da Pró-Reitoria de Extensão da Unesp, tendo como um dos objetivos o trabalho com a comunidade, desenvolvendo e promovendo a formação cidadã do aluno de graduação, vivenciando a realidade fora da universidade. Isso foi plenamente atingido pois as bolsistas Fernanda Barthelson Carvalho de Moura  (2º ano de Medicina Veterinária) e Bianca Boton Fernandes (4º ano de Medicina Veterinária) participaram ativamente de tudo”.

O projeto ainda contou com o trabalho das alunas de Medicina Veterinária Flora Nogueira Matos, como voluntária, e Carla Giovana Lino de Faria, como bolsista da Pró-Reitoria de Graduação da Unesp, que participou desenvolvendo um subprojeto para a produção de materiais didáticos inovadores. “Como desdobramento do projeto de extensão estamos construindo materiais didáticos que poderão ser utilizados em novas iniciativas de educação ambiental”, ressalta a professora Elizabeth.

Como atividade final do projeto, estão sendo preparados dois livros, um para cada escola, relatando e registrando o trabalho feito em cada uma delas por professores e alunos. A publicação será distribuída para todo o corpo discente das escolas. (Assessoria de imprensa FMVZ)