Estudo sobre previsão de convulsões premia aluno do IB

Gustavo Henrique Tomanik, aluno de mestrado do programa de Pós-Graduação em Biometria do Instituto de Biociências (IB), campus da Unesp de Botucatu, recebeu o segundo lugar do prêmio “Beatriz Neves”. Esse prêmio foi concedido pela Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) e a entrega do mesmo ocorreu no Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional, realizado de 17 a 21 de setembro, na Unicamp, em Campinas.

O prêmio busca incentivar a participação de alunos de graduação em atividades de Iniciação Científica, no âmbito de Matemática Aplicada e Computacional. Ele é uma homenagem à Profa. Beatriz Neves (1935-1986), que atuou no Instituto de Matemática da UFRJ.

O projeto de Tomanik, intitulado “Caracterização e Análise de Séries Temporais Fisiológicas com o uso de Redes Complexas”, contou com apoio financeiro da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Trata-se da utilização de um método matemático/computacional recentemente proposto pela Profa. Dra. Andriana Susana Lopes de Oliveira Campanharo (orientadora do aluno). Ele é baseado na teoria de “Redes Complexas”, para o estudo de convulsões em pacientes com epilepsia.

“Foram utilizados dados obtidos pela técnica da EletroEncefaloGrafia (EEG), que consiste no registro gráfico das correntes elétricas desenvolvidas no encéfalo, por meio de eletrodos aplicados no couro cabeludo. Os resultados obtidos são promissores e permitiram não somente à distinção de pacientes em diferentes condições patológicas, como também na previsão de crises de convulsão em pacientes com epilepsia”, explica a docente.

“Esses resultados podem contribuir significativamente na melhora da qualidade de vida de pacientes com epilepsia que se vêem muitas vezes isolados por conta do impacto físico, psicológico e social que a doença ainda apresenta”, complementa o pós-graduando, que é formado em Física Médica pelo próprio IB Botucatu e desenvolveu parte de sua Iniciação Científica, também com apoio financeiro da Fapesp, no âmbito de um dos melhores grupos de pesquisa do mundo na área de Redes Complexas, localizado na Northwestern University (EUA).

Tomanik conduz atualmente o projeto de pesquisa intitulado “Uso de redes complexas na previsão de convulsões e na localização da zona epileptogênica de pacientes com epilepsia”, financiado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). A ideia é dar prosseguimento à pesquisa desenvolvida durante sua Iniciação Científica.

“Mais especificamente, o aluno fornecerá uma estimativa do tempo máximo que antecede uma convulsão, além da localização da região do cérebro onde surgem as convulsões (denominada zona epileptogênica), com o intuito da remoção da mesma em pacientes que não respondem ao tratamento com drogas anti-epilépticas”, esclarece a orientadora.