Acontece Botucatu conversa com Maitê Proença sobre a peça ‘A MULHER DE BATH’

O Teatro Municipal de Botucatu recebe na noite desta sexta-feira, dia 24, a peça ‘A MULHER DE BATH’ com  Maitê Proença. Ela escolheu a peça para comemorar seus 40 anos de carreira e 60 anos de vida.

O Acontece Botucatu bateu um papo com atriz; confira.

Acontece Botucatu – Que reflexão a peça faz?

Maitê Proença – O q o texto propõe, é que se dermos o poder à mulher ela não o usará pra matar ou submeter, mas para trazer bem estar para seu companheiro, e para toda a gente

AB- Um texto de 1475. Você consegue encontrar algo de lá nos dias atuais?

MP- Uma mulher fala dos jogos e artimanhas do amor, das guerras infernais no casamento, do sexo e suas armadilhas, das diferenças entre homens e mulheres, da necessidade da soberania feminina, de seu pleito por liberdade.  São as mesmíssimas questões de hoje. Ele foi surpreendente em sua época e surpreende igualmente agora.

AB- Você está comemorando 40 anos de carreia. Cinema, TV, Teatro. O que mais te deu prazer até hoje nessa trajetória?

MP- O aprendizado.  Ter começado sem saber nada, e através de meu oficio, ter me burilado emocionalmente, ter buscado fora e dentro o que nem supunha que existisse. E ter e evoluído como pessoa e atriz em função disso.

AB- Você construiu a imagem de musa nesse tempo, mas a beleza com conteúdo, com opiniões firmes em discussões importantes. Por qual motivo é tão difícil encontrar ‘musas’ com essas posições e opiniões?

MP- Por que as pessoas têm mais necessidade de pertencimento do que apreço pelas ideias.  Ninguém topa bancar um pensamento que esteja em discordância com o de seu grupo eleito.  E os tempos são de muito patrulhamento.  Fica difícil mesmo.

AB – Na arte cênica, o que pode dizer para quem está começando?

MP- Estude, olhe pra fora do umbigo, aprenda tudo o que puder, compreenda o outro, seja infinitamente curioso. E de quebra dance, cante e toque um instrumento.

AB- É mais difícil começar hoje do que há 40 anos?

MP- Nunca foi fácil se destacar nessa arte.

AB- Você está viajando pelo Brasil com a peça. Como está sendo essa experiência de estar em locais distantes dos grandes centros?

MP- Tenho imenso prazer em trazer um trabalho de enorme qualidade, mas que de fato conversa com o público mais variado.  A gente criou uma peça que respeita o público, pra que ele participe o tempo todo e nunca jamais se sinta burro ou excluído. E eu gosto muito do interior do Brasil.  Gosto das pessoas que encontro por toda parte.  Por isso sempre fico depois do espetáculo conversando com as pessoas que me esperam na saída

AB- Esse não é o primeiro trabalho com o Amir Haddad. O que tem de especial nessa dobradinha?

MP- Ele é um craque. Sabe tudo! Aprendo muito com Amir

📝#Serviço

Datas: 24 de agosto – sexta-feira
Horário: 20h30
Gênero: Comédia Dramática
Duração: 70 min
Classificação: 16 anos
Local: Teatro Municipal
.
🎫 #Ingressos
Meia: R$ 35,00 (professores, estudantes, pessoas + 60 Anos)
Porto Seguro: R$ 40,00 (Cliente Porto Seguro +1 acompanhante R$ 40,00 cada um)
Unimed: R$ 40,00 (Cliente com o Cartão do Plano de Saúde)
Inteira: R$ 70,00.

A peça – 

De Geoffrey Chaucer / Tradução de José Francisco Botelho

Direção de Amir Haddad

Participação do ator e músico Alessandro Persan

“À beira de uma estrada, em plena Inglaterra medieval, uma mulher experiente, bem humorada e de franqueza desconcertante conta a história de sua vida: seus cinco maridos e a vida sexual, suas paixões, seus rancores e vinganças, seu profundo conhecimento dos homens e da alma humana’’.

Se não houvesse em toda a Terra imensa, autoridade além da experiência, a mim isso seria suficiente, pra fazer um relato contundente, das mazelas da vida de casado. Assim se apresenta ao público A Mulher de Bath. Fogosa e cheia de vida,  tendo enterrado cinco maridos, está em busca o sexto.

Depois de duas temporadas seguidas em São Paulo, no Sesc Bom Retiro e no Teatro FAAP, Maitê Proença traz uma a peça escolhida para comemorar seus 40 anos de carreira e 60 anos de vida, e também os 80 anos do diretor Amir Haddad.

A MULHER DE BATH é uma mulher libertária, à frente de seu tempo, e não teme dizer o que pensa. Ela é uma das figuras basilares da literatura ocidental, precursora de Shakespeare e do indivíduo moderno.

O texto é do escritor e filósofo inglês Geoffrey Chaucer (1343-1400), reconhecido como o pai da literatura inglesa, e faz parte de sua obra inacabada “Os Contos da Cantuária”, publicada pela primeira vez em 1475 e tida como uma das mais importantes da literatura inglesa e um clássico da literatura mundial. A tradução, de José Francisco Botelho, foi indicada ao Prêmio Jabuti e já é considerada uma referência contemporânea na tradução de Chaucer.

A ATUALIDADE DO TEXTO

É um texto de interesse universal. Uma mulher falando dos jogos e artimanhas do amor, das guerras infernais no casamento, do sexo e suas armadilhas, das diferenças entre homens e mulheres, da necessidade da soberania feminina, de seu pleito por liberdade. São as mesmas questões de hoje. Ele foi surpreendente em sua época, e continua a surpreender agora”, conta Maitê Proença, atriz e idealizadora do projeto.

 “Chaucer teve a audácia e a graça de colocar essa história, que nós transformamos em teatro, na boca de uma mulher, uma viúva libertária. Uma mulher que ama a vida, a alegria, o riso, o sexo, os homens, a diversão. A mulher de Bath é profundamente religiosa e tudo o que faz justifica pela Bíblia. Nela, o sagrado e o profano convivem perfeitamente. Isso resulta divertido e cômico., continua Maitê.

SINOPSE

Numa taberna qualquer, à beira de uma estrada, em plena Inglaterra medieval, uma mulher experiente, bem humorada e de franqueza desconcertante conta a história de sua vida: seus cinco maridos e a vida sexual, suas paixões, seus rancores e vinganças, seu profundo conhecimento dos homens e da alma humana. Sem poupar a ninguém, nem a si própria, fala das coisas como são, de forma irreverente e direta.

A MONTAGEM O TEXTO EM VERSOS

Inédito nos palcos brasileiros, o texto conta com tradução de José Francisco Botelho, que buscou inspiração na poesia popular brasileira – do repente nordestino à trova gaúcha – para reviver a exaltação e a grandeza da Idade Média, em versos inspirados no cancioneiro popular e na poesia oral do interior do Brasil.

A montagem tem como marca a contemporaneidade do pensamento teatral de Amir Haddad, aproximando o público dos atores de forma direta e sem mistérios. Tudo está à mostra: a preparação da cena, o jogo de luz, a operação do som. A proposta é perseguir a simplicidade e dialogar com todo tipo de público.

A trilha da peça é operada em cena pelo ator e músico Alessandro Persan, que interage com a atriz e também participa, junto com ela, da movimentação dos objetos e das mudanças de ambientação. Os elementos da cena são rearrumados pelos atores para criar ambientes típicos da época: tabernas, alcovas, igrejas.

A PARCERIA DE MAITÊ PROENCA E AMIR HADDAD

Maitê Proença e o diretor Amir Haddad tiveram seu primeiro encontro profissional em 2012, na peça As Meninas – Prêmios APTR Melhor Autor (Maitê e Luiz Carlos Góes), Melhor Atriz (Patrícia Pinho) e Melhor Figurino (Beth Filipecki) -, seguido de À Beira Do Abismo Me Cresceram Asas, em 2014 – Prêmio APTR Melhor Atriz para Clarisse Derziê.

JOSÉ FRANCISCO BOTELHO tradutor

Nasceu em Bagé (RS), em 1980. É jornalista, escritor e colabora em publicações como Superinteressante, Aventuras na História e Bravo! É Mestre em Letras pela UFRGS e autor do livro “A árvore que falava aramaico”, obra finalista do Prêmio Açorianos de Literatura/Conto de 2012. Ocupou-se da magistral tradução de Os contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer, para a coleção Penguin/Companhia das Letras, indicada ao prêmio Jabuti e já considerada uma referência contemporânea na tradução de Chaucer.

AMIR HADDAD – diretor

Mineiro de Guaxupé, Amir Haddad é diretor e professor de teatro, premiado diversas vezes. Dirigiu grupos alternativos na década de 1970 pesquisando e buscando a disposição não convencional da cena, desconstrução da dramaturgia, utilização aberta dos espaços cênicos e interação entre atores e espectadores. Essa linha de trabalho teatral é a base de sua ação como diretor e fundador do grupo Tá na Rua, criado em 1980, que coordena até hoje.

Participou da criação do Teatro Oficina nos anos 1950, em São Paulo, ao lado de José Celso Martinez Correa e Renato Borghi. Deu aulas na Escola de Teatro de Belém e se transferiu para o Rio de Janeiro em 1965. Na cidade do Rio, continuou a lecionar e a encenar. Com seu trabalho, vem recuperando o sentido de festa do Teatro e a dramaticidade das festas populares, ressaltando os aspectos de pesquisa e de educação com que busca transformar o teatro num espaço para questionamento do ator como indivíduo, do seu lugar no mundo e da dramaturgia.

Considerado um dos maiores encenadores do Brasil e reconhecido internacionalmente, ao criar o Grupo Tá na Rua, busca se comunicar mais com sua plateia. Dos palcos às salas abertas, das quadras às ruas e às praças, rompeu a “quarta parede” para abrir um caminho em direção a um teatro vivo e transformador para quem o vive e o faz. Torna-se um diretor único por sua capacidade de transitar entre o teatro tradicional e as produções populares.

Só no ano de 2017, Amir Haddad foi premiado com a Medalha Tiradentes, a Medalha de Comenda da Resistência Cidadã, título honorífico de Cidadania Iguaçuana. Em 2018, com o Prêmio Botequim Cultural, categoria especial pela importância do trabalho do Grupo Tá Na Rua.

MAITÊ PROENÇA atriz, idealizadora e produtora

A atriz, escritora e dramaturga paulistana Maitê Proença começou a estudar teatro no final dos anos 1970 com o diretor Antunes Filho. Desde então, trilhou sua carreira nos palcos, nas TV e no cinema.

No teatro, protagonizou montagens de Augusto Boal, Domingos Oliveira, Eduardo Tolentino, entre outros, e escreveu as premiadas peças “À Beira do Abismo me Cresceram Asas” (2013) e “As Meninas” (2009), esta última em parceria com Luiz Carlos Góes, ambas com direção de Amir Haddad; e “Achadas e Perdidas”, dirigida por Roberto Talma.

Na televisão, atuou em mais de 20 novelas, como “Liberdade, Liberdade” (2016), “Gabriela” (2012), “Passione” (2010) e “Caminho das Índias” (2009), e em séries como “A Vida Como Ela É” (1996) e “Confissões de Adolescente” (1994). Foi comentarista de futebol no programa esportivo ExtraOrdinários, do Sport TV, e apresentadora do Saia Justa, do canal GNT.

No cinema, participou de 18 filmes, entre eles “Meu Amigo Hindu” (2016), de Hector Babenco; “Primeiro Dia de um Ano Qualquer” (2012), de Domingos Oliveira; “A Dama do Cine Shangai” (1987) e “Onde andará Dulce Veiga” (2008), de Guilherme de Almeida Prado; “Kuarup” (1989), de Rui Guerra.

FICHA TÉCNICA

Texto: Geoffrey Chaucer

Tradução: José Francisco Botelho

Adaptação: Maitê Proença

Direção: Amir Haddad

Com: Maitê Proença

Participação do ator e músico: Alessandro Persan

Cenário: Luiz Henrique Sá

Figurino: Angèle Froes

Adereços: Marcilio Barroco

Iluminação: Vilmar Olos

Preparadora Corporal: Marina Salomon

Assistente de direção: Alessandro Persan

Trilha Sonora: Alessandro Persan

Camareira: Naná Nascimento

Fotos divulgação: Daniel Chiacos e Matheus José Maria

Fotos de cena: Sabrina Moura e Matheus José Maria

Projeto Gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque (Cubículo)

Produção : Bruno Mariozz (Palavra Z Produções Culturais)

Cordenadora de Comunicação: Denise Kafka

Assistente de Comunicação: Leonardo Konther

Assistente de Produção: Marcus Andrade

Idealização: Maitê Proença

Realização: M. Proença Produções Artísticas Ltda.

 

SERVIÇO:

 Duração: 70min

Cassificação Indicativa: 16 anos

Informações: Palavra Z Produções Culturais – e-mail: contato@palavraz.com.br