STARTUPS, INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Por Paulo André de Oliveira

O economista austríaco Joseph Schumpeter lançou em 1934, “A Teoria do Desenvolvimento Econômico”, até hoje um marco na história da economia. Considerado um dos economistas mais influentes do século XX, defende a ideia de que o progresso tecnológico não só era importante para o crescimento como era uma de suas bases fundamentais. Para ele, o progresso tecnológico estava estritamente ligado à inovação. Conhecido como “O Profeta da Inovação”, alega que, para quebrar o estado estacionário de equilíbrio da economia, é necessário haver inovação e para isso existem dois elementos essenciais: o empreendedor e o crédito.

A inovação tem um papel fundamental no desenvolvimento econômico, portanto é fácil entender a razão dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). No mundo são cada vez maiores, tendo aumentado os gastos do PIB (Produto Interno Bruto) com atividades de P&D de 1,60% em 2008 para 1,69% em 2014. Em países desenvolvidos esse fato é ainda mais visível, atingindo um nível de investimento de 2,4% do PIB em 2015.

Neste quesito “inovação” a startup chama a atenção.  Muitas pessoas dizem que qualquer pequena empresa em seu período inicial pode ser considerada uma startup. Em geral, uma startup é uma empresa com custos de manutenção muito baixos, mas que consegue crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores em um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza.

Um cenário de incerteza significa que não há como afirmar se aquela ideia e projeto inovador de empresa irão realmente dar certo ou serão sustentáveis. Muito se acha que startups são somente empresas de internet, podem até ser, mas não necessariamente. Elas só são mais frequentes na internet porque é bem mais barato criar uma empresa de software do que uma indústria de biotecnologia, por exemplo.

O modelo de negócios repetível e escalável é como a startup gera valor, ou seja, como transforma seu trabalho em dinheiro. Por exemplo, um dos modelos de negócios do Google é cobrar por cada click nos anúncios mostrados nos resultados de busca.

Ser repetível significa ser capaz de entregar o mesmo produto novamente em escala potencialmente ilimitada, sempre de uma forma padronizada ou adaptações para cada cliente. Isso pode ser feito tanto ao vender a mesma unidade do produto várias vezes, ou tendo-os sempre disponíveis independentes da demanda. O acesso a um vídeo no Youtube, por exemplo, pode se repetir milhões de vezes sem modificar o conteúdo ou perder qualidade.

Ser escalável é a chave de um startup: significa crescer cada vez mais, sem que isso influencie no modelo de negócios, ou seja, crescer em receita, mas com custos crescendo bem mais devagar. O principio da produção em massa, diluindo o custo fixo em um numero cada vez maior de unidades produzidas. No exemplo do Youtube o número de acessos dificilmente deixará alguém de fora. Isso fará com que a margem seja cada vez maior, acumulando lucros e gerando mais riqueza.

Contudo é incerto. É justamente por esse ambiente de incerteza, até que o modelo de sucesso seja encontrado, que tanto se fala do investimento para startups. Sem capital de risco, é muito difícil persistir na busca pelo modelo de negócios enquanto não existe receita. Nesta incerteza, o investidor anjo pode ser fundamental. Normalmente é um ex-empresário ou executivo que tem experiência acumulada de uma carreira de sucesso e disposto a investir de 5% a 10% de seu patrimônio, além da sua experiência e rede de relacionamento para orientá-lo e aumentar suas chances de sucesso. Portanto, a “angelitude” está em se arriscar numa ideia inovadora que pode dar errado.

Após a comprovação de que ele existe e a receita começar a crescer, provavelmente será necessário um novo investimento para que essa startup se torne uma empresa sustentável. Quando se torna escalável, a startup deixa de existir e dá lugar a uma empresa altamente lucrativa. Caso contrário, ela precisa se reinventar ou enfrenta o risco de acabar prematuramente. Correr o risco e apresentar algo de novo é a chave da inovação e de uma grande parte do desenvolvimento dos países de alta renda. O Brasil, desde a década de 1980, patina como um país de renda média por ser um replicante de tecnologia. O ambiente de negócios favorável e a qualificação da mão de obra andam lado a lado com inovação e desenvolvimento.

Paulo André de Oliveira é Professor da FATEC