A pandemia e o polo de desenvolvimento regional

Por Paulo André de Oliveira

O desenvolvimento econômico é buscado como forma de melhorar a qualidade de vida da população. Para que ocorra o desenvolvimento, uma condição necessária é também a ocorrência do crescimento econômico. O crescimento econômico é aumentar a produção de um período em relação a outro, porém pode haver crescimento sem desenvolvimento, por exemplo, com o aumento da concentração de renda, os ganhos do crescimento econômico podem estar deixando o país, ou o meio ambiente estar sendo dilapidado comprometendo a sustentabilidade das gerações futuras.

Quando se fala em desenvolvimento, é importante delimitar uma região. Toda região se organiza em torno de um ou mais produtos que produza e exporta para outra região. Uma região forma uma identidade, apresentando características semelhantes, como um campo de força atraindo unidades econômicas e organizando todo território em sua proximidade.  Uma estratégia para o desenvolvimento econômico são os polos de crescimentos regionais em geral impulsionados por pelo menos uma indústria motriz. Esta indústria forma um conjunto de atividades interdependentes que promove melhoras quantitativas e qualitativas na região.

Uma grande indústria motriz incentiva o surgimento de atividades satélites, ou seja, que orbitam esta indústria principal. São fornecedores e fornecedores dos fornecedores, formados em geral, por uma rede de pequenas e médias empresas. Funciona uma grande empresa, mas na verdade é uma cadeia produtiva formada por uma infinidade de elos. A indústria motriz estabelece padrões de qualidade e postura empresarial, elevando a qualidade dos seus fornecedores num circulo virtuoso. A microempresa fornecedora passa a ter o padrão da indústria motriz. O grande feito regional de uma indústria motriz é exportar produtos para outras regiões, e assim, a receita de vendas é de fora das fronteiras regionais. Esta injeção de recursos externos à região causa um efeito multiplicador na renda em atividades não relacionadas diretamente com a vocação regional como o comércio, prestação de serviços, pequenas empresas que surgem decorrentes da renda gerada inicialmente na atividade da indústria motriz.

Assim uma região acaba se desenvolvendo mais do que outras regiões porque a atividade da indústria motriz está em expansão, assim como a região pode entrar em crise pela alta concentração em uma atividade que está em dificuldade.  A indústria de bens de capital de transporte na região de Botucatu vive um problema conjuntural, ou seja, um problema temporário que foi agravado pela pandemia do COVID-19.  O isolamento social, necessário neste momento, reduziu drasticamente os gastos com transporte reduzindo a receita de empresas de ônibus e de aviação, que por consequência reduziram suas encomendas de novos ônibus e aviões.  O uso do termo conjuntural indica que se trata de uma situação passageira, ou seja, uma circunstância ocasionada pelo isolamento social e queda da atividade econômica. Se a questão fosse estrutural, a indústria deixaria de existir por uma grande mudança de hábito ou tecnológica como aconteceu com as indústrias de máquinas de escrever ou lâmpadas incandescentes, por exemplo.

Portanto, o impacto da pandemia nos polos de desenvolvimento como a indústria de bens de transporte s afeta toda a cadeia produtiva e também as atividades que se beneficiam da renda gerada nestes polos. O alento é saber que isto irá passar, porque existe demanda reprimida por estes bens de transporte, e as empresas que os fazem são competitivas com produtos de alta qualidade.

Paulo André de Oliveira – Professor da FATEC- Botucatu