A hora da educação financeira

Por Paulo André de Oliveira

A discussão em torno da reforma da previdência traz uma necessidade de planejamento financeiro por parte das famílias, que denuncia o urgente apelo pela educação financeira. Desde 1998 começou a transferência de responsabilidades do setor público para o privado na formação da poupança previdenciária, conforme disposto na Emenda Constitucional nº 5 de 1998, que estimula os planos de previdência complementar. O fato é que com reforma ou sem reforma, hoje a aposentadoria já representa uma queda significativa na renda das pessoas. Não existe no setor privado quem se aposente sem forte queda na renda.  A alternativa que precisa ser criada é o hábito da educação financeira que inclui a poupança e o investimento.

Nos Estados Unidos, a preocupação com educação financeira é crescente. Tendo em vista o grande número de inadimplências, falências e consequências da má administração das finanças domésticas na economia, instituições públicas e privadas vêm estudando essa situação e maneiras de oferecer programas educativos para a população, iniciando nas escolas primárias. Em um mundo de numerosos e variados produtos financeiros (cheque especial, cartão de crédito, financiamentos e leasing, crédito direto ao consumidor, poupança, fundos de investimentos, etc), as pessoas devem estar preparadas para lidar com situações cada vez mais complexas ao desejarem adquirir um bem ou serviço.

Educação financeira sempre foi importante aos consumidores, para auxiliá-los a orçar e gerir a sua renda, a poupar e investir e a evitar que se tornem vítimas de fraudes. No entanto, sua crescente relevância nos últimos anos vem ocorrendo em decorrência do desenvolvimento dos mercados financeiros e das mudanças demográficas, econômicas e políticas. O conhecimento financeiro pode ser enquadrado em duas vertentes: pessoal e profissional. Do ponto de vista pessoal é atrelado à compreensão da economia e de como as decisões das famílias são afetadas pelas circunstâncias econômicas. Inclui ainda tópicos da gestão de recursos, tais como: orçamento, poupança, investimento e seguro. No âmbito profissional, o conhecimento financeiro é vinculado à compreensão de relatórios financeiros, fluxos de caixa e mecanismos de governança corporativa das empresas.

A principal dificuldade é planejar adequadamente as ações de longo prazo; é preciso poupar por conta própria para a aposentadoria, não mais provida integralmente pelo Estado. Também é necessário reavaliar as decisões sobre a compra de sua casa própria e dos bens duráveis, bem como entender as novas modalidades de crédito e dominar a tecnologia disponível para a realização das transações financeiras básicas.

A queda na taxa de juros criou um novo cenário para o planejamento para a aposentadoria. A aplicação pura e simples pode não garantir uma aposentadoria.  É preciso se arriscar mais em fundos que apliquem em renda fixa (juros) e renda variável (ações). De qualquer forma, o ponto inicial é conseguir fazer sobrar renda e conseguir superar o ímpeto do consumo imediato (certo e concreto) pelo consumo futuro (incerto e abstrato).

A previdência social, independente de qualquer reforma, não nos garante renda futura (aposentado) igual à renda presente (trabalhando). Poupar ou investir para o futuro voluntariamente é um hábito difícil de criar e necessita de orientação profissional ou estudo apurado. Aposentadoria privada e fundos de investimento são opções a se considerar. Contudo, acreditar que protestar contra a reforma da previdência resolve o problema é minimizar a realidade.

Professor da FATEC.