29 março 2026
Botucatu 171 anos: Um dos nomes mais marcantes da história política de Botucatu, Lico Silveira ajudou a transformar a cidade em um período de forte crescimento urbano e econômico.

Na série especial dos 171 anos de Botucatu, a trajetória administrativa de Luiz Aparecido da Silveira, o Lico Silveira, se insere como um dos períodos mais representativos do processo de expansão urbana e reorganização econômica do município.
Nascido em Bofete no ano de 1917, Lico Silveira governou Botucatu em dois períodos distintos: de 1969 a 1973 e, posteriormente, de 1977 a 1983, somando aproximadamente uma década à frente do Executivo municipal.
Filho de Adolfo Rodrigues da Silveira e Rafaela Silveira Campos, Lico Silveira construiu uma trajetória que se confunde com parte importante da história política e econômica de Botucatu.
Foi casado com Aurora Alves da Silveira, com quem teve cinco filhos — Marly, Evani, Osni, Marcos e Adolfo — e uma família que se estendeu por 14 netos e 6 bisnetos.
Natural de sua cidade de origem, onde realizou os estudos e chegou a exercer o cargo de delegado de Polícia, mudou-se para Botucatu no final da década de 1940. Na época, adquiriu uma área rural às margens do Rio Tietê, na região hoje conhecida como Rio Bonito, onde passou a atuar no cultivo de algodão, café, cereais e na criação de gado.
Como fazendeiro e pecuarista, foi proprietário das fazendas São Martinho, Morro Azul, Nossa Senhora de Fátima, Alvorada, Boa Vista e Saúde, consolidando também sua presença no setor agropecuário da região.
Lico também frequentou curso da ADESG (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra) e, ao longo da vida pública, recebeu diversos títulos honoríficos, entre eles os de Comendador, Cidadão Botucatuense e Melhor Prefeito.
Em reconhecimento à sua relevância na história do município, o prédio do Poder Executivo de Botucatu leva seu nome.
Na vida política, tomou posse pela primeira vez como prefeito em 1º de fevereiro de 1969, eleito pelo MDB, tendo como vice-prefeito Dr. José Carlos Fiúza de Andrade, em mandato de quatro anos.
Retornou ao comando do município em 1977, desta vez eleito pelo PDS, governando por mais seis anos, ao lado do vice Dr. Eugênio Monteferrante Neto.
Na eleição de 1988 tentou emplacar um terceiro mandato, mas não obteve sucesso no pleito que elegeu Joel Spadaro. Apesar de vencido, seu jingle de campanha marcou: “Agora não tem mais jeito, Lico Silveira será nosso Prefeito”.
Ao longo de sua trajetória, participou ainda da fundação de importantes legendas políticas, entre elas MDB, ARENA, PDS e PFL, consolidando seu papel como uma das figuras mais influentes da história política de Botucatu.
Urbanização e expansão habitacional

Durante os 10 anos em que esteve à frente do Executivo municipal, Lico Silveira ficou conhecido por manter as portas do gabinete sempre abertas à população. Era comum receber moradores para conversas diretas, especialmente os mais humildes, que o chamavam simplesmente de “Lico”.
Sua administração é lembrada como uma das mais marcantes da história de Botucatu, principalmente pelo volume de obras e projetos estruturantes realizados no município.
Entre os principais legados está a construção do Conjunto Habitacional Humberto Popolo (Cohab I), com 1.583 casas, marco importante na expansão urbana e no acesso à moradia popular.
No sistema viário, sua gestão foi responsável pela abertura de importantes avenidas que até hoje integram o cotidiano da cidade, como Dante Delmanto, Pedretti Netto, Vital Brasil, Leonardo Villas Boas e Conde de Serra Negra.
No setor industrial, teve papel decisivo na atração e consolidação de empresas que impulsionaram a economia local, entre elas Caio, Duratex (instalada em 22 de março de 1972), Staroup, Quessada e Neiva, além de outras indústrias de pequeno e médio porte.
Na área pública e institucional, destacam-se a fundação da Biblioteca Municipal Emílio Peduti, a criação do Museu Municipal, a desapropriação de áreas para a construção do Ginásio de Esportes e do prédio da Justiça do Trabalho, além da aquisição da área da antiga Reflorenda, onde hoje funciona a Garagem Municipal.
Também promoveu a doação de terrenos para entidades como Lions Club, Rotary, APCD e Sociedade Brasil-Japão, além da construção da Praça Brasil-Japão.
No saneamento e abastecimento, a gestão realizou a implantação de novas adutoras de água para o abastecimento da cidade e do distrito de Rubião Júnior, incluindo a então Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas. O serviço foi executado pela Planidro, contratada pelo SAAEB.
Outro marco foi a construção da nova estação de tratamento de água, nas proximidades do Hospital Psiquiátrico, considerada uma das mais modernas da época, com produção inicial de 305 litros por segundo, além da construção do novo prédio do SAAEB, na Avenida Pedretti Netto.
Entre outros feitos, destacam-se ainda a elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, a concessão de bolsas de estudo para alunos do ensino superior, a articulação para o acesso à Rodovia Castelo Branco, a construção dos prédios dos Ginásios Pedro Torres e Pedretti Netto, a reversão do estádio Dr. Acrísio Paes Cruz para a Associação Atlética Ferroviária, a construção da ponte sobre o Rio Alambari, a modernização da iluminação pública na Avenida Dom Lúcio, a pavimentação de cerca de 150 mil metros quadrados em diversos bairros e a ampliação das redes de esgoto no Jardim Paraíso.
Leitura histórica
Análises posteriores apontam que o ciclo administrativo de Lico Silveira representa um momento de inflexão no desenvolvimento de Botucatu. Há, inclusive, registros que destacam a dificuldade do município em manter, nas décadas seguintes, o mesmo ritmo de atração industrial observado naquele período.
Personagem de um ciclo
Inserido na história política local, Lico Silveira é frequentemente associado a um modelo de gestão voltado à expansão urbana, à industrialização e à infraestrutura, características que ajudam a compreender a formação da Botucatu contemporânea.
Sua administração está situada em um contexto histórico específico: o período do regime militar brasileiro, quando prefeitos atuavam sob forte influência política estadual e federal. Ainda assim, registros históricos apontam que sua gestão se caracterizou por articulação política e busca por investimentos estruturais para o município
Na linha do tempo dos 171 anos do município, seu nome permanece ligado a um período de transformação estrutural, cuja influência ainda pode ser observada na configuração urbana e econômica da cidade.
Fonte de pesquisa: Blog do Delmanto e Prefeitura de Botucatu
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