Pescadores recolhem lixo reciclável às margens de rio durante piracema

Durante a piracema, a pesca nos rios fica proibida. Em Botucatu (SP), os moradores de uma colônia de pescadores buscam por novas fontes de renda durante este período. Uma das opções é recolher materiais recicláveis que são encontrados às margens do Rio Tietê.

O pescador Severino Damião da Silva busca o sustento da família no rio. Em vez de ficar em casa, durante a piracema, ele recebe cerca de R$ 3 mil por mês com a coleta de materiais recicláveis que ficam às margens do rio.

“Eu vou me dividindo porque tem dias que a gente sai para pescar e pega só um quilo de peixe. Já na reciclagem, todo o dia eu ganho meu pão. Antigamente a gente não poderia passar pela represa de tanto lixo que tinha. Depois que apareceu o comprador da reciclagem, melhorou muito para nós”, conta o pescador.

Ao perceber a oportunidade, Isac Bezerra, que também é coletor de materiais recicláveis, passou a trabalhar às margens do Rio Tietê. “Dá para viver sossegado, melhor do que na pesca. Faz uma benfeitoria para todo mundo. Para o meio ambiente e para mim também”, diz.

De acordo com o presidente da colônia de pescadores, Edivando Soares de Araújo, 70% do lixo recolhido vem de São Paulo a cada cheia do rio. O projeto que transforma lixo em renda partiu da Polícia Ambiental de Botucatu junto de órgãos públicos e empresas privadas. “A gente conseguiu ter uma grata surpresa que, neste último ano, nós recolhemos 730 metros cúbicos de lixo. Isso resultou em 26 caminhões lotados de lixo. Desta vez, o lixo diminuiu em 40%, ou seja, nossas margens estão mais limpas e os pescadores geram renda com o material”, conta o policial Gustavo Henrique do Nascimento.

Fonte: G1