Orlando de Almeida: filho nato da Vila dos Lavradores

 

O veterano desta edição é o aposentado ferroviário Orlando de Almeida (87). Casado com Aparecida de Almeida (in memória), pai de Maria Lúcia de Almeida Novaes (62) e Rosangela Thiago (49). Avô de três netas e um casal de bisnetos.

Filho mais velho de 10 irmãos, Orlando nasceu em uma casa na Rua Rodrigues César, na Vila dos Lavradores. “Sou cria do Bairro. Nasci aqui e foi minha avó Virgínia da Fonseca que fez meu parto. Naquela época as crianças nasciam em casa”, conta.

Seu pai Antônio de Almeida, era chefe de trem e sua mãe Teresa de Almeida, dona de casa. Orlando cresceu vendo o desenvolvimento da Estação Ferroviária Sorocabana e como não poderia ser diferente, seu primeiro emprego aos 18 anos foi como auxiliar de estação na antiga Sorocabana.“Boa parte da minha família foi de ferroviários. Eu trabalhei a vida toda na ferrovia. Me aposentei como supervisor administrativo e tive algumas funções durante todos estes anos como ferroviário. Fiz muitas viagens de trem. Que saudade que tenho da minha querida Sorocabana. Foi uma época maravilhosa. Pena que tudo se acabou”, emociona-se.

As quermesses da igreja Sagrado Coração de Jesus também foram relembradas. “ Era lindo de ver a quermesse. Eram 30 dias de festa. Frequentei muito quando era menino”, relembra.

Em 1977, Orlando se mudou com sua esposa e filhas para a Vila Antártica, onde mora até hoje. Ele foi um dos responsáveis pela criação da antiga capela de Nossa Senhora de Fátima e pelo Grupo Escolar da Vila Antártica, hoje a EMEF Angelino de Oliveira.

“Sempre fui muito devoto de Nossa Senhora de Fátima. Para homenageá-la eu e algumas pessoas tivemos a ideia de fazer uma capela para ela nesta região. Primeiro conseguimos fazer uma capela de madeira. Organizamos muitas festas para arrecadar fundos para construir a atual igreja de Nossa Senhora de Fátima. Também percebi que faltava uma escola para as crianças na Vila Antártica. Organizei o pessoal novamente e conseguimos o local para as crianças estudarem. Na época só tinha quatro salas de aula. Por muito tempo fui presidente da caixa escolar. Eu que comprava os materiais escolares e ia entregando para os alunos que não tinham condições de comprar”, diz.

Há 37 anos, Orlando bate ponto todos os dias, na Associação dos Ferroviários Aposentados Sorocabana, onde é o presidente da entidade desde 1980. Ele também foi diretor do antigo Hospital Sorocabana.Quem conhece Orlando sabe o dom que ele tem em ajudar ao próximo. Mesmo com a idade avançada ele arrecada roupas, sapatos, eletrodomésticos e cestas básicas para doar a quem necessita.