Ministério da Saúde firma convênio com Unesp para etapa final do soro antiapílico desenvolvido em Botucatu

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Ministério da Saúde firma convênio com Unesp para etapa final do soro antiapílico desenvolvido em Botucatu 12 maio 2026

Medicamento inédito no mundo será testado em fase decisiva antes de possível incorporação ao SUS.

Botucatu volta a ganhar destaque nacional e internacional na área da saúde e da pesquisa científica. O Ministério da Saúde assinou oficialmente o convênio com a Unesp para a realização dos ensaios clínicos de Fase III do soro antiapílico, medicamento inédito desenvolvido pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap/Unesp) para tratamento de vítimas de múltiplas picadas de abelhas africanizadas.

A nova etapa representa a fase final de testes antes do pedido de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da possível incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto é considerado histórico por pesquisadores e especialistas da área, já que o soro desenvolvido em Botucatu é o único no mundo criado especificamente para combater os efeitos do envenenamento causado por abelhas africanizadas, responsáveis por acidentes que podem levar pacientes à falência renal, complicações sistêmicas e até à morte.

O desenvolvimento do medicamento é resultado de mais de duas décadas de pesquisas conduzidas pelo Cevap, unidade da Unesp em Botucatu que atualmente também abriga o Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos (CTS-Cevap). Para viabilizar a etapa final do estudo clínico, o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT), destinou cerca de R$ 20 milhões ao projeto, desenvolvido em parceria com a Unesp e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A previsão é que os estudos de Fase III tenham início ainda em 2026, com recrutamento de aproximadamente 150 a 200 pacientes em diferentes cidades e centros de pesquisa clínica do país. O objetivo será confirmar, em larga escala, a segurança e eficácia do medicamento dentro dos protocolos exigidos pela Anvisa.

Segundo o coordenador do Cevap, professor Rui Seabra, a assinatura do convênio marca um dos momentos mais importantes da trajetória do projeto. “Com isso vamos conseguir registrar o produto na Anvisa e distribuir para hospitais de todo o Brasil por meio da rede SUS. É um projeto com mais de 20 anos de desenvolvimento, contando com incontável contribuição da comunidade acadêmica”, destacou.

Ainda de acordo com Rui Seabra, o medicamento poderá colocar o Brasil em posição de protagonismo internacional no setor de biofármacos. “Esse é um medicamento único no mundo e que pode resultar inclusive em exportações, gerando divisas para o país”, afirmou.

A tecnologia empregada no soro é totalmente nacional. O processo utiliza anticorpos produzidos em cavalos a partir da inoculação controlada do veneno das abelhas. Posteriormente, esses anticorpos passam por purificação até se transformarem no medicamento utilizado no tratamento das vítimas.

A produção do soro ficará sob responsabilidade do Instituto Vital Brazil, referência nacional na fabricação de imunobiológicos e soros terapêuticos, que deverá realizar a distribuição ao Ministério da Saúde após aprovação regulatória.

O avanço do soro antiapílico reforça o protagonismo científico da Unesp de Botucatu em pesquisas envolvendo venenos, biofármacos e medicina translacional, colocando o município novamente no centro de uma iniciativa com potencial de impacto mundial na saúde pública.

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