Gestantes relatam drama e espera por leitos na Maternidade do HC de Botucatu: “mais de 24 horas sem atendimento adequado”

Cidade
Gestantes relatam drama e espera por leitos na Maternidade do HC de Botucatu: “mais de 24 horas sem atendimento adequado” 10 abril 2026

Denúncias apontam superlotação, falta de estrutura e gestantes aguardando atendimento em cadeiras e até dentro de carros. Hospital afirma que medidas internas já foram tomadas.

O Acontece Botucatu recebeu, nas últimas 48 horas, uma série de relatos alarmantes de gestantes que enfrentam uma situação crítica na maternidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). As denúncias apontam superlotação, falta de leitos e condições consideradas desumanas para mulheres em trabalho de parto ou em situação delicada de gestação.

Segundo os depoimentos enviados à redação, mulheres com indicação de internação permanecem por horas — e em alguns casos, mais de um dia — aguardando atendimento adequado, muitas vezes acomodadas em cadeiras na recepção ou até mesmo fora da unidade.

Uma das gestantes relata que está no local desde a tarde de quinta-feira, sem alimentação e sem previsão de internação.

“Estou grávida de gêmeos, em jejum há várias horas. Tem gente com hemorragia aqui do meu lado sendo liberada para ir embora”, afirmou.

Outro relato descreve mais de 20 horas de espera sem qualquer tipo de suporte.

“Minha esposa está aqui há mais de 24 horas, sem resposta e sem apoio. Tem outras gestantes em situação igual ou até mais grave. É um descaso total”, diz o acompanhante.

Um dos depoimentos mais preocupantes recebidos pela redação envolve uma gestante com 41 semanas e 3 dias de gravidez, já com carta de internação, que aguardou por mais de 22 horas por um leito na maternidade. Segundo o relato, a paciente chegou ao hospital por volta das 9h30 da manhã de quinta-feira e, mesmo com indicação para internação e cesariana programada, permaneceu durante todo o período na sala de espera, sem qualquer alternativa de acolhimento.

“Não ofereceram nenhuma solução. Não deixaram ir para casa e retornar quando tivesse vaga, não deram opção de descanso em outro local. Simplesmente ficamos ali, esperando”, relata.

Diante da ausência de suporte, a gestante precisou buscar uma forma improvisada de descanso.
Ela passou parte desse período dentro do próprio carro, sem estrutura, sem conforto e em jejum, mesmo com procedimento previsto para o dia seguinte. Outro ponto que chama atenção é a ausência de acompanhamento contínuo. De acordo com o relato, apenas um exame foi realizado durante todo o período de espera, ainda nas primeiras horas após a chegada.

“Foi só uma avaliação inicial, por volta das 13h. Depois disso, nada mais. Se estivesse internada, o acompanhamento seria completamente diferente”, afirma.

As denúncias ainda apontam falta de privacidade, desconforto e insegurança, além da sobrecarga evidente dos profissionais de saúde que atuam no setor.

Diante da gravidade da situação, o Acontece Botucatu entrou em contato com a assessoria de imprensa do HCFMB, que confirmou a superlotação da maternidade. Em nota oficial, o hospital informou que todos os leitos estão ocupados e que há fila de espera para internações.

Segundo o HC, a unidade é referência regional para atendimentos de alta complexidade em obstetrícia e, atualmente, também vem absorvendo a demanda de gestantes de baixo risco devido ao fechamento de outros serviços na região. A instituição afirma ainda que medidas internas já foram adotadas para tentar restabelecer o fluxo de atendimento o mais rápido possível.

Nota à imprensa

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) informa que sua Maternidade encontra-se com todos os seus 40 leitos ocupados e fila de espera para internações.

Medidas internas já foram adotadas para restabelecer o fluxo regular de atendimentos o mais breve possível, assegurando a continuidade da assistência a todas as pacientes que necessitam do serviço neste momento.

Referência regional para casos de alta complexidade em Obstetrícia, a Maternidade do HCFMB é a principal porta de entrada para atendimentos de urgência e emergência das regiões do Polo Cuesta e Vale do Jurumirim.

Atualmente, tem atendido as gestantes de baixo risco da região em função de fechamento de serviços de maternidade nos últimos meses.

É importante destacar que a Maternidade do HCFMB realiza, em média, 240 procedimentos por mês, entre partos, cirurgias e demais procedimentos realizados em centro obstétrico e 400 internações por mês.

Compartilhe esta notícia
Oferecimento
Seu novo BRN
Oferecimento