Festa em homenagem a Anna Rosa será em setembro

Evento será realizado em Botucatu entre os dias 13 e 15 de setembro

Arquivo Acontece Botucatu

Entre os dias 13 e 15 de setembro será realizada, em Botucatu, a I Festa de Santa Cruz de Anna Rosa. É uma homenagem a essa mulher que simboliza a luta contra a agressão às mulheres e cuja história de sofrimento será para sempre lembrada na cidade. A iniciativa ainda incentiva o resgate da cultura e tradição caipira na região.

Com ampla programação, religiosa e festiva, o evento será realizado na Praça da Juventude, onde está localizada a capela de Anna Rosa. A organização está sob responsabilidade de voluntários ligados à Paróquia de São Pio X. Toda a renda da festividade será destinada à construção da igreja matriz da paróquia.

Atrações – A abertura oficial, no dia 11 de setembro, será marcada pela celebração de uma missa na igreja de São Pio X. Entre as atividades agendadas estão: festival de música caipira com a apresentação de mais de 10 duplas, ao vivo, incluindo a cantora Adriana Farias, violeira e apresentadora do programa Viola Minha Viola, da TV Cultura.

Faz parte da programação, ainda: cavalgada; tradicional queima do alho (com 20 cozinhas e cozinha piloto preparada para servir almoço para 3 mil pessoas) e praça de alimentação. Também haverá Romaria, exposição de fotos e filme de Anna Rosa; além de entrega de diplomas a mulheres com histórias de superação.

Programação religiosa – Acontecerá o tríduo (entre os dias 11 e 13 de setembro), quando as missas vão abrir espaço para reflexões sobre temas envolvendo as mulheres no plano de Deus e na Bíblia, além dos desafios que elas enfrentam na atualidade. Para o dia 14 (sábado), a partir das 16 horas, está programada a Missa Solene de Exaltação da Santa Cruz. No domingo, 14, às 10 horas, haverá a Missa com a Irmandade do Divino , do Bairro de São João, de Conchas, e Benção da Cavalgada.

A Festa será realizada na Praça da Juventude, Avenida Mário Barbéris, Cohab I (Ao lado do Tiro de Guerra). Informações Paróquia São Pio X- (14) 3815-8348.

Reconhecimento – A Festa de Santa Cruz de Anna Rosa deve ser incluída no calendário oficial de eventos de Botucatu por sua relevante contribuição na valorização da mulher, combate ao feminicídio e defesa da Lei Maria da Penha.

Capela – Localizada na Avenida Mário Barbéris, na Cohab I, em Botucatu, ao lado da sede do Tiro de Guerra, a capela em homenagem à Anna Rosa foi recentemente reformada e completa neste ano 100 anos de existência. Existe um projeto de, na área situada atrás da capela, ser construído um Museu da Música Caipira.

Para o padre Francisco Antunes, pároco da São Pio X, a realização dessa festividade pode ser considerado mais um dos milagres de Anna Rosa, já que une pessoas de diferentes segmentos da sociedade em torno de um mesmo ideal. “Vamos reforçar a importância do combate à violência contra a mulher e também queremos recuperar a cultura caipira. E a Anna Rosa é uma referência para ambos os temas”, destaca.

Relembre a história de Anna Rosa

Na manhã do dia 22 de junho de 1885, um fazendeiro cavalgava por Botucatu, quando o animal, inesperadamente, o conduziu para um terreno nos arredores do município, próximo ao Rio Lavapés. Ali, o homem encontrou abandonado o corpo de uma mulher mutilada, sem os seios, orelhas, lábios, dedos e língua.

Graças a uma escrava fugida que viu o crime, escondida, foram reconhecidos o assassino e a vítima: a jovem era Anna Rosa, de 20 anos, e seu algoz era o próprio marido, Francisco Carvalho Bastos, conhecido como Chicuta, um influente carreiro com idade entre 40 e 45 anos.

A tragédia de Anna Rosa chocou a pacata Botucatu do século 19, que compareceu em peso no seu enterro. Mais de 130 anos depois, o túmulo da moça – uma construção rosa modesta localizada no Cemitério Portal da Cruzes – ainda é preservado pelos moradores da cidade.

Mais que empáticos à tragédia da jovem, muitos ali são devotos de Anna Rosa, considerada milagreira na região. Seu túmulo tem centenas de placas em agradecimento de pessoas que afirmam ter alcançado graças por intercedência dela.

De milagreira à moda de viola

Por mais de 70 anos, a história de Anna Rosa foi passada de geração em geração de forma oral, até que, em 1957, a dupla sertaneja Tião Carrero e Pardinho gravou uma música que conta a tragédia da jovem, descrevendo Chicuta como um “caipira bastante atrasado” que “batia na pobre mulher com a vara de ferrão de bater no gado”. Intitulada Anna Rosa, a composição é do músico Carreirinho, nascido em Bofete.