Fechado ao público há um ano, Museu do Café da Fazenda Lageado apresenta aspecto de abandono

Área histórica da fazenda é tombada pelo Condephatt. Direção alega falta de recursos e pouca mão de obra no campus

É difícil encontrar um cidadão de Botucatu que não conheça a Fazenda Lageado. Além de abrigar algumas das mais importantes faculdades do Brasil, tem guardado um pedacinho da história do Estado de São Paulo, abrigando relíquias de estimado valor no Museu do Café.

A Área Histórica da fazenda é patrimônio tombado desde 2013 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), como bem de interesse histórico, arquitetônico, artístico, paisagístico, ambiental e turístico.

Apesar de ser parte integrante da memória de milhares de pessoas, a área histórica da fazenda está literalmente abandonada. O Acontece Botucatu traz imagens da atual situação do terreiro do café, anexo ao museu, um dos patrimônios culturais do interior paulista.

A Fazenda Lageado pertence à Unesp (Universidade Estadual Paulista) e desde a chuva que devastou a cidade em meados de fevereiro de 2020, o acesso ao local ficou restrito. A pandemia reforçou a ação da Universidade que deixou o local longe do alcance popular.

O Terreiro do Café, local que se confunde com a trajetória do Município desde o início do século XX, se apresenta com mato alto e erosões. O Museu do Café, que tanto encantou os botucatuenses e turistas foi fechado no ano de 2019 e o Casarão, símbolo máximo desse áureo período, também entrou no ciclo do descaso e abandono e conta com rachaduras e trincas estruturais, que comprometem todo o prédio.

Em nota a assessoria de imprensa da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, responsável pela manutenção do campus, justificou a atual situação do museu, confira o texto completo.

Nota na íntegra:

Atendendo à sua solicitação a Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, câmpus de Botucatu, informa o seguinte: a área histórica da Fazenda Experimental Lageado, incluindo o Museu do Café e o Terreiro de Café, está interditada para o público desde as fortes chuvas de fevereiro de 2020, que causaram danos estruturais em vários pontos dessa área.

No Terreiro de Café, por exemplo, alguns pontos do piso sofreram afundamentos e outros danos estruturais que oferecem risco físico real a eventuais visitantes.

A partir de março de 2020 até o presente momento, houve a restrição de acesso do público à Fazenda Experimental Lageado, por ordem legal, por conta da pandemia de Covid-19.

O fato de não haver circulação de pessoas na área histórica, somada à redução do quadro de servidores por conta das aposentadorias no período e do afastamento de servidores pertencentes ao grupo de risco das atividades presenciais, fez com que a Diretoria da FCA optasse por espaçar as atividades de limpeza da área e das edificações históricas, como forma de otimizar os serviços realizados nos 2520 hectares das suas Fazendas de Ensino, Pesquisa e Extensão.

A manutenção, portanto, vem sendo feita nos limites das possibilidades da FCA, incluindo serviços pontuais de contenção, para evitar a ampliação dos danos.

Por ser uma área tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do Estado de São Paulo, qualquer obra na área necessita ter o caráter de restauro, ou seja, obedecer a normativas de uso, estabelecidas a partir dos processos de tombamento ou de proteção e preservação especiais.

Tais obras requerem, portanto, recursos financeiros dos quais, no atual momento de grave crise econômica, a FCA e a própria Unesp não dispõem.

Vale lembrar que desde a interdição da área histórica, a Diretoria da FCA tem buscado recursos e parcerias dentro e fora dos muros da Universidade para tentar viabilizar sua recuperação e reabertura à visitação pública. Embora estudos e diagnósticos sobre a situação da área tenham sido feitos por meio de parcerias com outras instituições, a grave crise econômica atravessada pelo país tem praticamente inviabilizado a captação de recursos externos para tal objetivo.

A FCA solicita a compreensão da população e da própria comunidade universitária e reforça que o acesso à área história da Fazenda Lageado e suas edificações, por razões de segurança, está restrito a pessoas autorizadas.