20 agosto 2026
Inspirada em clássicos da literatura brasileira, montagem utiliza teatro físico e gestual para abordar seca, escassez, relações com a terra e resiliência humana

A Fazenda Experimental Lageado, em Botucatu, recebe nesta sexta-feira, 21 de agosto, o espetáculo teatral “Varado de Chuva”, apresentado pela Associação Teatral Notívagos Burlescos. A sessão será realizada às 20 horas, no Auditório Paulo Rodolfo Leopoldo, com entrada gratuita e classificação livre.
Protagonizado e concebido pelo ator e dramaturgo Johnny Faustino, o espetáculo propõe uma imersão no universo do sertão brasileiro por meio da história de Firmino, homem que vive isolado em um sítio e tem apenas uma galinha como companhia.
Em meio a uma longa estiagem, o personagem enfrenta a fome, a seca e as dificuldades impostas pela escassez de recursos. Ao mesmo tempo, precisa lidar com contatos constantes e conflituosos com um grande latifundiário. Memórias e lembranças ajudam a revelar as perdas acumuladas ao longo de sua trajetória e sua resistência em abandonar a própria terra.
Um dos diferenciais da montagem é a linguagem utilizada em cena. “Varado de Chuva” é um solo de teatro físico e gestual, sem o uso da fala tradicional. A comunicação com o público ocorre principalmente por meio do corpo do ator, além de fonemas, sons e movimentos.
A criação do espetáculo reúne referências pessoais e literárias. Memórias familiares relacionadas à terra e à rotina da vida rural se misturam a inspirações de clássicos da literatura brasileira, entre eles “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto; “O Quinze”, de Rachel de Queiroz; e “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos.
A aridez também aparece na composição visual da montagem. Cenografia, figurino e adereços seguem uma paleta monocromática, construída a partir de tonalidades semelhantes às da terra, que também é utilizada como elemento da maquiagem do protagonista.
Além das questões relacionadas à seca e às crises hídrica e climática, a peça aborda relações sociais e políticas envolvendo o território e propõe reflexões sobre solidão, fé, pertencimento e o enfraquecimento das relações afetivas diante das adversidades.
A apresentação é viabilizada com recursos da Secretaria Municipal de Cultura de Botucatu, por meio do Programa de Incentivo à Produção Artística (PIPA), e conta com apoio do Comitê de Ação Cultural da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp de Botucatu e da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf).
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