08 fevereiro 2026
Toada imortal do cancioneiro sertanejo foi apresentada pela primeira vez em evento realizado na cidade.

Um dos maiores clássicos da música sertaneja brasileira está prestes a completar um século de história. Em 2026, a primeira gravação com letra da toada caipira “Tristezas do Jeca” completa 100 anos desde seu lançamento oficial em disco.
A gravação foi feita em 1926, no Rio de Janeiro, pelo cantor e violonista Patrício Teixeira, em estúdio da gravadora Odeon. A canção foi lançada em um disco de 78 rotações pela histórica Casa Edison, marcando o início da trajetória fonográfica de um dos maiores standards do universo sertanejo.
Apesar disso, a música já existia antes. Composta em 1918 pelo violeiro e compositor Angelino de Oliveira, a toada ganhou vida muito antes de chegar aos estúdios — e tem uma ligação direta com o interior paulista e, especialmente, com Botucatu.
Botucatu no berço da canção
Paulista de Itaporanga, Angelino se mudou ainda criança para Botucatu, cidade onde cresceu e desenvolveu sua relação com a música caipira. Foi justamente aqui que ele apresentou “Tristezas do Jeca” pela primeira vez, durante um evento realizado por um clube botucatuense, em 1918.
Foi em Botucatu aliás, que Angelino desenvolveu a maior parte da sua atividade musical, sendo o músico mais cultuado da cidade, embora outros tenham alcançado maior fama como Raul Torres e Antenor Serra, o Serrinha.
A toada começou a circular pela região e, anos depois, se transformaria em um símbolo nacional da música sertaneja e da melancolia do homem do campo.
Um clássico que atravessou gerações
A repercussão inicial da gravação de Patrício Teixeira foi moderada, mas a canção ganhou força nas décadas seguintes, especialmente com interpretações marcantes como a de Paraguassu, em 1937, e a versão definitiva de Tonico & Tinoco, em 1947.
Desde então, “Tristezas do Jeca” nunca mais saiu da memória afetiva do Brasil. A música foi regravada por grandes nomes como Inezita Barroso, Sérgio Reis, Luiz Gonzaga, Almir Sater, Pena Branca & Xavantinho, Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, entre muitos outros.
Uma das interpretações mais emocionantes foi feita por Maria Bethânia, que deu nova intensidade aos versos na trilha do filme 2 Filhos de Francisco.
100 anos de saudade e identidade brasileira
Ao completar um século em 2026, “Tristezas do Jeca” reafirma seu lugar como uma das composições mais importantes da música brasileira — e Botucatu pode se orgulhar de estar entre os cenários onde essa história começou.
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