Câmara de vereadores decidirá sobre financiamento de represa em Botucatu

Botucatu deu mais um importante passo para a construção da represa do Rio Pardo. Na manhã desta quarta-feira, 14, saiu uma portaria do Ministério da Cidade com o chamado enquadramento da obra, ou seja, que autoriza o financiamento após a conclusão de alguns tramites. A informação foi dada pelo Prefeito Mário Pardini em entrevista à Rádio Criativa FM.

Agora o processo vai para a Câmara Municipal de Botucatu. Nesta manhã o Prefeito Mário Pardini irá protocolar o Projeto na Casa de Leis. Trata-se de uma Lei Autorizativa, ou seja, os vereadores irão votar pelo financiamento ou não da obra, orçada em aproximadamente R$ 50 milhões.

O projeto deverá passar por comissões dentro da Câmara e uma Audiência pode ser realizada em breve, segundo declarações do Presidente da Casa, Izaias Colino, durante entrevista nesta manhã na Rádio Criativa FM. Se o projeto não for votado por algum motivo, Botucatu perde o prazo e terá que recomeçar o processo do zero em um novo governo que será empossado em 01 de janeiro de 2019.

Se os vereadores entenderem que a cidade precisa dessa obra e após respeitados todos os tramites, haverá a votação em plenário. O Acontece Botucatu apurou que o Prefeito Pardini se reuniu nesta terça-feira, dia 13, com sua base na Câmara (Izaias Colino, Alessandra Lucchesi, Zé Fernandes, Jamila Cury Dorini, Sargento Laudo, Carreira, Cula e Paulo Renato) e ainda hoje irá procurar os demais vereadores (Rose Ielo, Carlos Trigo e Abelardo) para falar da importância da obra e seu respectivo financiamento ainda em 2018.

Aprovado, o Projeto volta para a Caixa com a definição do financiamento. Em 2018 o Governo Federal teve o valor de R$ 7 bilhões para obras de saneamento em todo o país, mas esses recursos foram esgotados e os empréstimos congelados.

Após análise do Ministério das Cidades, Alexandre Baldy, responsável pela pasta, conseguiu incluir Botucatu, que disputava com milhares de outros projetos que esperavam a retomada dos financiamentos. Apenas três cidades conseguiram o chamado enquadramento.

O empréstimo precisa ser liberado ainda em 2018, pois em 2019, com o governo Bolsonaro, o Ministério da Cidades pode deixar de existir e a liberação para a obra se tornaria inviável em um primeiro momento,sendo que Botucatu voltaria a estaca zero.

Com a liberação dos recursos, existe uma previsão inicial de que as obras comecem em março de 2021. “Não é uma obra para apenas um Prefeito, mas de vários, uma obra que vai resolver de vez a questão do abastecimento em Botucatu”, disse Pardini ao Acontece Botucatu.

O projeto

O objetivo é construir uma barragem em uma área na região da cachoeira Véu de Noiva, um dos locais públicos mais acessados de Botucatu. O complexo recebe as águas do Rio Pardo, que abastece a maior parte de Botucatu e região.

De acordo com informações passadas ao Acontece Botucatu, essa barragem iria funcionar como um grande reservatório de água bruta. Dessa maneira, estaria garantido o abastecimento em períodos de estiagem ou crises hídricas, como a vivida em 2014/2015.

A primeira função dessa barragem será de abastecimento público, mas a represa terá múltiplos usos. Ela poderá ter a vazão regularizada para que produtores rurais utilizem a água para suas produções e colheitas, segundo o projeto.

As indústrias também poderiam ser beneficiadas. Assim se evitaria cenários como em 2014, quando a Duratex deixou de produzir durante três dias, pois não tinha água para resfriar suas caldeiras.

A barragem terá uma vazão de 1000 litros por segundo. Isso significa mais que dobrar a capacidade de produção de água de Botucatu mesmo em períodos de crise hídrica. Isso permitiria a utilização para o seu quarto objetivo, o turístico, que poderia gerar renda para o município, como ocorre com as represas Billings e Guarapiranga em São Paulo.