03 abril 2026
Procedimento inovador realizado no Cempas, em Botucatu, marca avanço histórico na medicina veterinária de animais silvestres e coloca a cidade em destaque mundial.

Um feito científico com DNA botucatuense ganhou repercussão internacional nesta semana. Pesquisadores do Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres (Cempas), da Unesp de Botucatu, realizaram uma transfusão de sangue inédita em uma onça-pintada, salvando a vida do macho Jack, de 18 anos, diagnosticado com doença renal aguda.
O procedimento foi realizado em Botucatu, reforçando o protagonismo da cidade como referência nacional e internacional em medicina veterinária e pesquisa com animais silvestres.
Jack, que atualmente vive no Zoológico de São Paulo, apresentava um quadro grave de anemia, o que impossibilitava a realização de hemodiálise — tratamento essencial para auxiliar sua função renal. Diante do cenário crítico, a equipe do Cempas estruturou e executou a transfusão, em uma intervenção clínica real, cuidadosamente monitorada e com potencial para gerar documentação científica inédita.
Uma doação que salvou uma vida
A doadora foi Ruana, uma fêmea mais jovem, que cedeu cerca de 800 ml de sangue. O procedimento ocorreu de forma segura, e a onça retornou ao seu habitat no Simba Safari, onde permanece saudável.
A compatibilidade entre os animais e o sucesso da transfusão foram determinantes para a recuperação de Jack, que já apresenta melhora significativa no quadro clínico.
Evolução positiva e acompanhamento em Botucatu
Após o procedimento realizado em Botucatu, Jack segue em acompanhamento no Cempas. Segundo os pesquisadores, o animal já demonstra melhora na postura, está se alimentando normalmente e responde bem ao tratamento.
Ele ainda deve passar por sessões de hemodiálise para auxiliar na recuperação da função renal, mas a evolução é considerada bastante positiva.
Botucatu no mapa da ciência mundial
Diferente de registros anteriores — como casos experimentais realizados nos Estados Unidos há cerca de uma década —, o procedimento realizado em Botucatu foi uma intervenção clínica real, estruturada e com rigor científico.
O caso deve ser publicado em revistas especializadas, contribuindo para o avanço da medicina veterinária e abrindo caminho para que transfusões sanguíneas em onças-pintadas possam ser aplicadas em outros atendimentos no Brasil.
Até então, esse tipo de procedimento era comum apenas em cães e gatos no país.
Cooperação que salva vidas
O sucesso da operação reforça a importância da integração entre instituições, zoológicos e centros de pesquisa. No caso de Jack, a união de esforços foi fundamental para viabilizar uma solução inovadora e eficaz.
Mais do que salvar um animal, o trabalho desenvolvido em Botucatu pode impactar diretamente a preservação de espécies ameaçadas, fortalecendo o papel da cidade como polo de conhecimento e inovação científica.
Compartilhe esta notícia










