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Município tem tradição cafeeira desde o século XIX, abriga uma indústria centenária do setor e guarda parte dessa história na Fazenda Lageado

Botucatu está entre os 18 municípios contemplados pelo reconhecimento oficial da área de produção do Café da Cuesta Paulista. A medida, publicada pelo Governo do Estado de São Paulo, representa um avanço na busca pelo registro de Denominação de Origem (DO), que poderá valorizar os cafés produzidos na região.

O reconhecimento foi formalizado pela Resolução nº 70/2026 da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, que estabelece os limites geográficos da produção e reconhece a influência das características naturais da Cuesta Paulista na qualidade do café.

Uma história que começou em Botucatu

A relação de Botucatu com a cafeicultura é antiga. Segundo o levantamento que embasou o reconhecimento, a produção de café na Cuesta Paulista teve início na década de 1860, justamente no município. A atividade teve papel fundamental no desenvolvimento econômico da cidade, impulsionando propriedades rurais, o comércio e o crescimento urbano.

Essa tradição permanece presente até hoje. Botucatu abriga uma das maiores fabricantes de café torrado e moído do Centro-Oeste Paulista, com mais de 100 anos de história, demonstrando a importância econômica que o produto continua tendo para o município.

Outro símbolo dessa ligação é o histórico Museu do Café, instalado na Fazenda Lageado, no campus da Unesp. Durante anos, o espaço recebeu visitantes interessados em conhecer a trajetória da cafeicultura e sua influência na formação de Botucatu e da região.

Atualmente fechado, o museu possui projetos de restauração, e sua possível reabertura permanece como uma expectativa para a preservação e valorização desse importante patrimônio histórico.

Café da Cuesta busca reconhecimento nacional

A região da Cuesta Paulista apresenta condições favoráveis à produção de cafés especiais, com altitudes entre 800 e 1.007 metros, clima ameno e características específicas de solo. Um levantamento baseado em 212 laudos de concursos regionais, referentes a sete safras, apontou pontuação média de 83,1 na escala internacional de avaliação de cafés. Entre as amostras analisadas, 97,8% foram classificadas como cafés especiais.

Além de Botucatu, a delimitação contempla municípios como Pardinho, Bofete, São Manuel, Itatinga, Pratânia e Avaré. O processo de reconhecimento é conduzido pelo Sindicato Rural de Pardinho, que representa os produtores na busca pela Denominação de Origem junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A certificação, caso aprovada, poderá agregar valor à produção, ampliar a visibilidade dos cafés especiais e fortalecer a economia rural.

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