Além do abastecimento: Represa no Rio Pardo contempla novo local turístico em Botucatu

O Prefeito de Botucatu Mário Pardini esteve nesta quarta-feira, dia 13, em Brasília, onde teve uma reunião na Secretaria Nacional de Saneamento para dar sequência no projeto da represa no Rio Pardo. O executivo tenta viabilizar aproximadamente R$ 55 milhões, valor do projeto e desapropriações.

Na última sexta-feira, dia 08, o Diário Oficial do Estado publicou a licença prévia para a construção da represa, ou seja, o documento mais importante, que antecede a licitação da construção. Após receber essa informação, o próprio Prefeito fez enviou uma mensagem para o Ministro da Cidades Alexandre Baldy, que pediu para ser avisado quando Botucatu chegasse nessa fase.

De posse dessas informações, o Ministro pediu que o Prefeito fosse até Brasília para uma reunião na Secretaria Nacional de Saneamento. Foram apresentados nessa reunião detalhes de construção e até de replantio de arvores na barragem. A ideia é formar uma APP (Área de Proteção Permanente) no local.

“Foi uma reunião bastante técnica para que pudéssemos apresentar os detalhes do projeto. Mas também discutimos o financiamento desse projeto. Estamos falando de R$ 55 milhões entre projeto e desapropriações. Já conseguimos 33% dessa área em doação, mas ainda falta pagar uma parte aos proprietários. Mas o grande desafio será conseguir esse financiamento em virtude do momento de contingenciamento de recursos que o país vive”, disse Pardini em entrevista ao Jornal Bom Dia Criativa da Rádio Criativa FM.

Segundo apurou o Acontece Botucatu, o Ministro Alexandre Baldy está sensibilizado com o projeto e acredita na capacidade empreendedora do município, muito em virtude do projeto apresentado para a construção dos apartamentos do Cachoeirinha. “O Ministro acredita muito, pois sabe que nos preocupamos muito com os detalhes da licitação, que essas obras são áreas anexas ao município e tudo isso pode viabilizar os empreendimentos e ele acredita em nossa capacidade de empreender, por isso temos essa abertura com ele”, colocou Pardini aos microfones da Criativa.

Lugar turístico e para uso de agricultores e industrias

A primeira função dessa barragem será de abastecimento público, mas a represa terá múltiplos usos. Ela poderá ter a vazão regularizada para que produtores rurais utilizem a água para suas produções e colheitas, segundo o projeto.

As indústrias também poderiam ser beneficiadas. Assim se evitaria cenários como em 2014, quando a Duratex deixou de produzir durante três dias, pois não tinha água para resfriar suas caldeiras.

A barragem terá uma vazão de 1000 litros por segundo. Isso significa mais que dobrar a capacidade de produção de água de Botucatu mesmo em períodos de crise hídrica. Isso permitiria a utilização para o seu quarto objetivo, o turístico, que poderia gerar renda para o munícipio, como ocorre com as represas Billings e Guarapiranga em São Paulo.

Parte da área já doada

Em fevereiro a Prefeitura de Botucatu assegurou o recebimento, em forma de doação, de dois dos 14 lotes de território que precisarão ser desapropriados para a construção da Barragem. A empresa Bela Vista, que atua na área de produção de sêmen bovino, doou aproximadamente 30% do necessário para o projeto.

O projeto

O objetivo é construir uma barragem em uma área na região da cachoeira Véu de Noiva, um dos locais públicos mais acessados de Botucatu. O complexo recebe as águas do Rio Pardo, que abastece a maior parte de Botucatu e região.

De acordo com informações passadas ao Acontece Botucatu, essa barragem iria funcionar como um grande reservatório de água bruta. Dessa maneira, estaria garantido o abastecimento em períodos de estiagem ou crises hídricas, como a vivida em 2014/2015.

Segundo a administração, a obra custaria algo em torno de R$ 55 milhões. O valor poderia ser obtido também através de recursos do PAC 2, Programa de Aceleração do Crescimento.

Segundo o planejado, serão cerca de 70 alqueires de área inundada, formando uma das maiores represas municipais no interior do Estado de São Paulo. Somente o Projeto executivo teve um custo aproximando de R$ 1,5 milhão.