Academia Botucatuense de Letras comemora 48 anos de existência

 

Por Gesiel Júnior

Neste 9 de julho a Academia Botucatuense de Letras (ABL) completa 48 anos de fundação. Tradicionalmente a instituição se reúne em sessão solene para celebrar a data, o que não ocorrerá em 2020 por conta das restrições sanitárias da Covid-19.

Entretanto, a presidente da ABL, professora Carmen Sílvia Martin Guimarães enviou mensagem especial aos acadêmicos para estimulá-los a superar os desafios da pandemia que impôs o distanciamento social.

“A gente faz um plano e Deus traça outro. Assim é o ditado. Porém, neste ano de 2020, a gente fez um plano e a Covid-19 traçou outro. Tínhamos elaborado com a nossa diretoria um cronograma anual das atividades. Era só pôr em ação”, comentou a presidente.

O último encontro da academia ocorreu no dia 13 de março, quando “o perigo do novo coronavírus já espalhava seus tentáculos maléficos”, revelou Carmen Sílvia, ao lembrar que “poucos acadêmicos compareceram, temerosos, afinal muitos já ultrapassam os 70 anos de idade”.

Desde então, a presidente suspendeu todos os eventos por prazo indeterminado. “A ABL para. Isola-se em cada lar. Em oração constante. Pede ao Pai proteção e liberação desse triste momento pelo qual a humanidade passa, neste ano em que completa 48 anos de existência”, relata.

Fundada em 9 de julho de 1972 pelo juiz de Direito Antonio Gabriel Marão, a Academia Botucatuense de Letras conta atualmente com cerca de 30 membros efetivos, dentre historiadores, críticos literários, cientistas sociais, jornalistas e políticos.

Sua atuação é voltada para a integração da comunidade através de eventos que difundam a literatura, a arte, a música e a poesia.

Carmen Silvia é a segunda mulher a presidir a Academia de Letras

Segunda mulher a presidir a ABL, Carmen Sílvia, em sua mensagem que pode ser lida abaixo, confessa “o prazer de fazer parte da academia há 27 anos”, tendo já exercido vários cargos, dentre os quais, os de secretária, bibliotecária e vice-presidente.

Ela ocupa a cadeira 9, cujo titular é o escritor botucatuense Hernâni Donato. “Tive e tenho grandes acadêmicos amigos que caminham junto a mim sempre”, enfatiza.

No início de maio, já em plena pandemia, a ABL mudou de sede, saiu do espaço que ocupava na Secretaria Municipal da Educação (no antigo Seminário) e se instalou no Centro Cultural de Botucatu. Confira abaixo o texto na íntegra.

Minha convivência de 27 anos com a ABL em seus 48 anos de vida

“Sentiste a dor dos espinhos?

É porque colhestes rosas também!” –  Dinorah Silva e Alvarez- minha antecessora na Cadeira 9 – Patrono Hernâni Donato 

A gente faz um plano e Deus traça outro. Assim é o ditado.

Porém, neste ano de 2020, a gente fez um plano e o Covid 19 traçou outro. Tínhamos elaborado com a Diretoria da ABL um cronograma anual das atividades. Era só pôr em ação. Em março, 13, tivemos nosso primeiro e último encontro acadêmico, na posse da Acadêmica Adriana de Jesus Padilha, de Taquarituba, como Membro Correspondente. O perigo do corona vírus já espalhava seus tentáculos maléficos. Poucos acadêmicos compareceram, temerosos, afinal muitos já ultrapassam os 70.    

Recebemos os visitantes e convidados na entrada da residência da Acadêmica Maria Helena Blasi Trevisani, onde ocorreria a solenidade. Álcool em gel e papel toalha já os aguardavam. Nada de abraços. Cumprimentamo-nos ao estilo “japonês ou hindu”. Nada de beijos ou apertos de mão. Que estranho…nós que sempre estivemos tão próximos…

A partir de então, como Presidente da ABL, tive que tomar a extrema decisão que outras entidades também tomaram: suspender todos os eventos da ABL por prazo indeterminado. A ABL para. Isola-se em cada lar. Em oração constante. Pede ao Pai proteção e liberação desse triste momento pelo qual a humanidade passa, neste ano em que completa 48 anos de existência.

Dentre esses 48 anos, eu tenho o prazer de fazer parte dela há 27 anos, precisamente a partir de 2 de outubro de 1993. Nessa data, dia dos Santos Anjos, no salão nobre do Colégio Santa Marcelina, houve a solenidade de recepção e apresentação à comunidade de três novos membros: eu, Maria Helena Blasi Trevisani e Francisco Habermann. Muitos Acadêmicos presentes, familiares, irmãs marcelinas, amigos e meus alunos da escola Industrial e do Colégio Santa Marcelina. Particularmente presente, o meu Patrono da Cadeira 9- Hernâni Donato. Mamãe me homenageou cantando “O doce mistério da vida”, acompanhada ao piano pela Acadêmica Maria Helena.

Agradeci muito nessa noite! A Deus, aos que me criaram, aos que me instruíram, aos que colaboraram para que aquela noite acontecesse, àquele que me introduziu no convívio acadêmico, o Confrade José Celso Soares Vieira, a quem eu chamo de “meu irmão-literário mais velho”.

A partir de então, comecei a participar da vida acadêmica. Presenciei momentos inesquecíveis, convivi com pessoas sensibilíssimas e cultíssimas, assisti a defesas de teses acadêmicas magníficas, a palestras sapientíssimas. Vivi saraus agradabilíssimos. E houve Reformas do Estatuto e Regimento, banca julgadora em concursos artísticos-literários, lançamentos de livros, projetos de integração com a comunidade e com várias instituições e houve, ainda, em plena pandemia, a mudança da sede da ABL:  do espaço que ocupava na Secretaria de Educação Municipal para o Centro Cultural de Botucatu.

Fui crescendo com a ABL e ocupei vários cargos: de secretária, bibliotecária, vice-presidente e hoje de presidente. Segunda mulher a ocupar esse cargo.

Tive e tenho grandes acadêmicos amigos que caminham junto a mim sempre.

27 anos dentro dos 48 da ABL me levam a reler, a reavaliar e a repetir um trecho do meu discurso proferido em 2 de outubro de 1993:

“Que eu tenha força e saúde para levar avante minhas obrigações acadêmicas, tendo, como exemplo Austregésilo de Athayde que… ‘num país onde é hábito criticar com má fé ou silenciar por cálculo, soube dar o exemplo da participação; soube integrar, em unidade viva, valores teóricos e práticos; foi exemplo e lição, um farol imenso como os faróis que alumiam as veredas do mar’” ( Jornal “O Estado de São Paulo”, de  25/09/1993).

Finalizo com uma frase de fé e esperança:

“Quando há estrelas, não se olha o pântano.”- Hernâni Donato

Botucatu, 7 de junho de 2020

Carmen Sílvia Martin Guimarães

Presidente da Academia Botucatuense de Letras