Pescadores contribuem para poluir rios e represas

Fotos: Valéria Cuter

Ainda é impressionante a quantidade de lixo de toda espécie que os pescadores deixam ? s margens dos rios e represas que circundam a região. O lixo abandonado gera muitos problemas, onde proliferam animais e insetos, carregando vírus e bactérias nocivos ? saúde. Por causa da poluição muitos peixes morrem em razão do baixo teor de oxigênio da água.

São rios como o Araquá, Capivara, Santo Inácio, Jaú, Pirambóia, Capivarinha, Embaúba, Rio da Vila, Rio Bonito, Rio Tietê, Rio do Peixe, entre outros que estão sendo castigados pela ação de pescadores, que não se preocupam com a preservação. Também é nos rios que cortam a cidade, como o Tanquinho, Água Fria e Lavapés, que muitas pessoas despejam o lixo caseiro e até animais mortos.

Para comprovar esse desrespeito com a natureza, qualquer cidadão pode se deslocar a um dos rios da região (ou da cidade) e não é necessário caminhar muito para perceber, objetos, principalmente, recipientes de lata, madeira e plástico, jogados nas margens ou sendo carregados pela correnteza ou espalhados pela vegetação.

Se por um lado existem pescadores conscientes que procuram limpar a sujeira que fazem, acondicionando o lixo em sacos plásticos, outros abandonam tudo que não serve mais no próprio lugar onde acampam. A reportagem do Jornal Acontece foi checar de perto os dois lados dessa história, realizando uma vistoria em alguns rios da região, como o Rio Bonito, Capivarinha, Capivara e Araquá.

No Rio Araquá, a família de Sandro Amaro, da cidade de São Manuel, mostrou que se preocupa com a preservação do ambiente onde passa suas horas de lazer. “Tenho o costume de trazer sempre comigo um saco plástico e quando a gente levanta acampamento para ir embora, coloco todo lixo dentro e levo embora. A única coisa que jogo na água é ração e quirera de milho para “cevar” (atrair) os peixes”, ensina Amaro.

No Capivarinha, em um local conhecido como Bosque, onde os carros são estacionados, a dupla de pescadores de Botucatu, Antônio Carlos Rodrigues e Roque Santana, também procuram limpar o que sujam. “Se todo mundo limpasse o lixo, as margens dos rios estariam limpas”, disse Rodrigues. “Mas, tem gente que não está nem aí com a coisa e deixam tudo na margem, quando não jogam no rio. Por isso o Capivarinha está tão cheio de pernilongos”, complementou Santana.

A menos de 100 metros dali uma situação inversa. Em uma barraca montada um grupo de pescadores não gostou de ser abordado pela reportagem. “Quem é que quer levar lixo pra casa? Esse negócio de deixar o lixo é prática de todo mundo. Você (repórter) dá uma volta por aí e veja que não é só a gente. Se todo mundo levar o lixo eu vou começar a levar também. Mas, se ninguém leva, por que é que vou levar?”, colocou o professor de nome Júlio César, que mora em Cerqueira César.

Outro pescador de nome Otávio Luiz que fritava peixes embaixo da ponte do Rio Capivara (SP-191) criticou os pescadores que agem ilegalmente nos rios. “Tem muita gente que se diz pescador, mas, na verdade, “limpa” os rios com redes e tarrafas. Esses sim estão acabando com os peixes dos rios. A “limpeza” tem que começar por aí. Deixar latinhas de cerveja ou plásticos nas margens não acaba com os peixes. Não estou dizendo que é certo, mas não é o maior problema”, justificou.

Não bastasse a sujeira deixada pelos pescadores da região, rios como o Tietê (Jaú e Rio Bonito) recebem uma grande quantidade de toda espécie de lixo de outros municípios que acaba sendo arrastado até a região de Botucatu pela correnteza. Além, é claro, de toneladas de esgoto doméstico e dos pesticidas que são jogados nos campos para exterminar pragas das plantações e acabam caindo nos rios, causando a morte de muitas espécies de peixes.

O pior de tudo isso é que para solucionar esse grave problema de lixo nos rios, as entidades preservacionistas ou mesmo as de repressão como a Polícia Militar Ambiental, alegam que o problema está ligado diretamente ao ser humano que deveria estar consciente de que cada um deve cuidar do lixo que produz. Se não houver essa conscientização, o problema não será solucionado.

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O 2º Pelotão de Policia Militar Ambiental de Botucatu, sob o comando do tenente Gustavo Henrique do Nascimento, faz patrulhamento constante pelos rios, matas e represas que cortam o município, resultando nas mais variadas autuações de crimes contra a natureza onde se incluem a pesca, a caça, o desmatamento, entre outros. Porém, essa fiscalização não fica restrita ao município de Botucatu.

Os policiais atendem a 26 cidades da região, agregando uma população estimada em 500 mil habitantes. Também está dentro da área de comando da Ambiental de Botucatu dezenas de rios e as três maiores represas do Estado de São Paulo: Barra Bonita, Chavantes e Jurumirim. O território alcança 15 mil quilômetros quadrados de área terrestre, 1.000 quilômetros quadrados de rios e 1.500 quilômetros quadrados de represas, atendendo a uma média 100 denúncias de crimes contra a natureza por dia.