Pescadores “cuidam” do Rio Tietê há sete anos

Pouca gente sabe, mas os pescadores da região do Rio Bonito e Porto Said há sete anos desenvolvem um trabalho de conscientização e limpeza das margens do Rio Tietê, durante o período da Piracema, época de reprodução dos peixes, onde a pesca fica proibida para garantir as sobrevivência das espécies. Este ano, especificamente, em fevereiro os pescadores ganharam um reforço muito importante nesse trabalho de conscientização do Grupo Ambiental de Botucatu em fevereiro para aumentar o leque de ações desse projeto.

O último trabalho foi realizado em 140 km de margens (70 km de cada lado) da represa de Barra Bonita, trecho entre Botucatu, Anhembi e São Manuel banhado pelo Rio Tietê. Todo material retirado das margens do rio é enviado à Cooperativa de Agentes Ambientais de Botucatu, que realizam sua triagem e, posteriormente, é revertido em renda para os cooperados.

Dessa união entre a Colônia de Pescadores com o Grupo Ambiental surgiu a operação “Verão Mais Limpo”,  vem dando resultados satisfatórios. Esse grupo foi criado em 2013 por representantes da Polícia Militar Ambiental, Prefeitura de Botucatu (Secretarias de Meio Ambiente, Obras, Planejamento, Turismo e Patrulha Ambiental da Guarda Civil Municipal), Unesp, Cetesb e empresas da Cidade (Gruppi Caçamba, Areia Rays, Grupo Sacae Watanabe, Fazenda Morrinhos, Usina São Manoel e Duratex).

Na avaliação do secretário municipal de Meio Ambiente, Perseu Mariani, despoluir o Rio Tietê é ação de conscientização bastante emblemática ao meio ambiente do Estado de São Paulo. “Todo o lixo que se joga em São Paulo e outras cidades que são cortadas pelo Tietê vem parar aqui. Já iniciamos conversas com a AES Tietê, que ficou bastante animada em multiplicar essa ação a outras barragens do Estado de São Paulo”, comenta.

O secretário municipal de Governo, Caco Colenci, lembra que este é o terceiro mutirão ambiental, em menos de 60 dias, no qual a Prefeitura está envolvido. “Realizamos a limpeza do Córrego da Cascata, em parceria com a ONG S.O.S Cuesta; no Córrego Desbruado em parceria com a Sabesp; e agora das margens do Rio Tietê, com participação de empresários, Polícia Militar e Colônia de Pescadores. Isso mostra que a união de esforços, em prol da comunidade, dá resultado”, reforça.

Como prêmio, as empresas envolvidas repassam aos pescadores cerca de R$ 10 mil. Esse recurso vai para o reembolso do combustível utilizado durante a coleta do lixo e reparos nas embarcações e compra de novas redes. Esta ajuda é bem vinda aos pescadores nesta época do ano, uma vez que de novembro a fevereiro ocorre a piracema, período de reprodução dos peixes no qual a atividade de pesca fica restrita.

Edvandro Soares de Araújo, presidente da Colônia de Pescadores Z-20 de Barra Bonita, que abrange 220 municípios do Estado, conta que a iniciativa só tem gerado benefícios à categoria. “Aumentou o volume de lixo coletado porque temos mais estrutura. As empresas repassam o dinheiro da gasolina e o que sobra é dividido entre os pescadores. Quanto mais limpo estiver o rio é sinal que teremos um peixe mais saudável para ser distribuído na região”, diz.

Carlos Augusto Mendes, gerente da agência Cetesb em Botucatu, afirma que todo esse lixo retirado do rio poderia demorar centenas de anos para se decompor junto à natureza. “O plástico, por exemplo, não deixa o Sol penetrar nas águas, causa uma eutrofização das águas, e daí você tem uma oxigenação menor, causando sérios danos aos organismos vivos”, explica.

Gustavo Henrique do Nascimento, Tenente da Policia Militar Ambiental – região Botucatu, conta que durante todo o ano são realizadas operações para coibir crimes ambientais. “Pessoas que são pegas poluindo os rios são multadas e conduzidas à delegacia. Mas o que queremos com essa ação de limpeza é despertar a consciência coletiva, pois o lixo nos rios atrapalha a navegação, a pesca, o turismo e lazer”, argumenta.