Especialista em audição de animais visita a FMVZ

O professor George Michael Strain, da Louisiana State University, nos Estados Unidos visitou a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, câmpus de Botucatu, entre os dias 05 e 09 de janeiro de 2014.

Strain é diplomado pela “University of Illinois”, tem mestrado e doutorado pela “Iowa State University” e pós-doutorado em neurofisiologia & neurologia em “UCLA Brain Research Institute”. Publicou inúmeros artigos sobre os achados clínicos e moleculares da surdez em animais e participa de pesquisas incluindo neurofisiologia (metodologia para testes eletrodiagnósticos) e neurologia experimental. Também é autor do livro “Deafness in Dogs and Cats”, um dos mais importantes sobre surdez em cães e gatos.

Durante sua permanência em Botucatu, Strain ministrou quatro palestras sobre os seguintes temas: “Surdez em cães e gatos”, “Potencial evocado auditivo de tronco encefálico em animais”, “Potencial evocado visual” e “Genética da Surdez em cães e gatos”. As palestras foram assistidas por docentes, alunos de pós- graduação, de graduação, estagiários e bolsistas de iniciação científica da FMVZ.

O visitante também participou como colaborador da disciplina “Tópicos especiais – Potenciais evocados auditivo e visual em medicina veterinária. Surdez em cães: aspectos clínico e genético”, coordenada pelo Alexandre Secorun Borges, do Departamento de Clínica Veterinária da FMVZ.

Strain também avaliou e discutiu a metodologia e os resultados obtidos nos seguintes trabalhos e projetos de pesquisa em andamento na FMVZ: Potencial evocado visual por flash em cães, equinos e ovinos; Estudo da resposta auditiva evocada de tronco encefálico em cães; potencial evocado auditivo de tronco encefálico em equinos; Comparação entre o uso de fones de intra e extra-auriculares na realização do potencial evocado auditivo de tronco encefálico em cães e Avaliação da influência da sedação na resposta auditiva evocada de tronco encefálico em cães.

O professor visitante também acompanhou a realização de exames de potencial evocado auditivo e visual em ovino, cão, equino, gato e em jumentos. O potencial evocado visual também foi realizado em um ovino com cegueira após intoxicação acidental por closantel, e em um gato branco, encaminhado ao Serviço de Neurologia Veterinária, com surdez neurossensorial de origem congênita.

Para o professor Alexandre Secorun Borges, a visita do professor Strain foi importantíssima para as pesquisas realizadas na FMVZ. “Ele possui ampla experiência com potenciais evocados e suas pesquisas são utilizadas como referência no mundo inteiro. Durante o período que esteve aqui, o professor avaliou a metodologia e os resultados obtidos em diferentes projetos em andamento sobre esse tema. Sua avaliação foi fundamental para confirmar a confiabilidade dos potenciais obtidos no laboratório e as discussões realizadas foram muito esclarecedoras. Além disso, sua vinda ampliou nossas colaborações internacionais, fortalecendo a marca da internacionalização da nossa instituição”.

A vinda do professor Strain foi viabilizada com auxilio da Pró-Reitoria de Pesquisa e do Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária.

{n}Na FMVZ{/n}

As pesquisas com potenciais evocados auditivos na FMVZ tiveram início em 2010, com aprovação do projeto de mestrado da Médica Veterinária Mariana Isa Poci Palumbo, que tem se dedicado ? padronização dos testes e ? implementação da rotina de potenciais auditivos e visuais em animais nos últimos anos.

No mesmo ano, foi aprovada a compra do equipamento de eletrodiagnóstico financiado por projeto de auxílio da Fapesp. “O potencial evocado auditivo é um exame rotineiramente utilizado em instituições veterinárias de diferentes países e a FMVZ foi pioneira na realização do exame em animais no Brasil”, conta o professor Borges.

A definição das metodologias utilizadas e a configuração do equipamento teve ampla contribuição do professor Luiz Antonio de Lima Resende, docente responsável pelo setor de eletroneuromiografia da Faculdade de Medicina da Unesp, câmpus de Botucatu e de Mariana Palumbo, atualmente doutoranda na FMVZ. “O potencial evocado auditivo tem diferentes aplicações clínicas, mas a principal delas é para diagnóstico de surdez neurossensorial em animais de raças predispostas”, explica o professor Borges. “A ocorrência deste tipo de surdez pode ser bastante elevada, principalmente em animais com coloração da pelagem predominantemente branca, como os dálmatas. Alguns estudos têm mostrado ocorrência de até 30% de surdez em determinadas raças, na maioria das vezes unilateral”.

Mais detalhes da metodologia utilizada ou como o exame pode ser agendado sugere-se consultar: http://www.fmvz.unesp.br/neuro_vet/Bera/Bera.html

Da Assessoria