Criadouro de caramujos africanos é localizado em terreno baldio

Na manhã desta segunda-feira (7) moradores da Rua Cavalheiro Monsueto Lunardi, entre os números 520 a 580, região da Vila Nova Botucatu, localizaram em um terreno baldio, dezenas de caramujos da espécie Achatina fulica,que ficou conhecido popularmente como caramujo africano gigante.

Uma moradora que acionou o jornal Acontece e pediu para não ser identificada, alega que há vários dias ela tem percebido a presença desses caramujos em locais distintos do quintal de sua residência e ela os tira usando uma vassoura.

“Moro aqui e varro os caramujos pra fora. Mas não sei quem é o proprietário deste terreno. É ali que os caramujos procriam, pois a maioria ainda são filhotes”, alerta a mulher, que ficou assustada ao saber que os caramujos são perigosos e podem afetar a saúde humana. “É mesmo? Agora é que não quero esses bichos por aqui!”.

De acordo com Gabriella Gonzalez, coordenadora da Vigilância Ambiental em Saúde (VAS), vinculada ? Secretaria Municipal de Saúde, por conta do período de chuvas, a reprodução desse tipo de caramujo é acelerada, o que aumenta as chances de contágio de doenças pelo ser humano.

A recomendação da VAS é que as pessoas não toque nesses caramujos com as mãos desprotegidas. “Os caramujos estão espalhados por todos os lugares e se tornaram uma praga urbana. Como não tem predadores naturais se proliferaram e não podemos usar produto químico pois podem matar também, os caramujos nativos. Então, os caramujos africanos capturados tem que ser incinerados”, explica Gonzalez.

O supervisor de serviços da VAS, Valdinei Moraes Campanucci da Silva, revela que os munícipes ainda têm muitas dúvidas em relação a como proceder de forma correta em relação a este animal. “Por isso resolvemos divulgar recomendações e afirmar que apesar deste tipo de caramujo transmitir doenças, Botucatu ainda não registrou nenhum caso”, informa.

{n}Como reconhecer?{/n}

O jeito mais seguro de identificar o caramujo gigante africano é através da sua concha. Ela é, geralmente, de cor marrom-escura, com listras esbranquiçadas desiguais, um pouco em zigue-zague. A borda da concha é afiada, bem diferente da abertura do caramujo-da-boca-rosada ou aruá-do-mato. Este último é um tipo de caramujo nativo brasileiro que não deve ser eliminado.

É um molusco nativo do nordeste da África. Possui alta capacidade reprodutiva (coloca até 1600 ovos por ano) e apetite voraz, alimentando-se de frutas, verduras, hortaliças, papelão, plástico e até mesmo tinta de parede. Além disso, não possui predador natural, o que favoreceu sua rápida proliferação por 23 estados. Embora pareçam inofensivos trazem perigo eminente ? saúde pública, podendo atingir 15 a 20 cm de altura, 10 a 12 cm de comprimento e pesar 200 gramas.

Em 1996, alguns produtores goianos tentaram a formação de uma cooperativa para criação de escargot, no entanto, não obtiveram êxito. O insucesso comercial provocou desistência na criação e a soltura inadequada do molusco no meio ambiente, facilitando sua disseminação.

{n}Transmissão de doenças{/n}

O caramujo gigante africano é um hospedeiro intermediário de dois vermes que podem causar distintas doenças. Uma é a angiostrongilíase abdominal, que provoca fortes dores abdominais, febre, perda do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino, hemorragias e em alguns casos, levar ? morte.

A outra doença é a meningite eosinofílica, que ocorre quando o verme se aloja no sistema nervoso central do paciente, provocando a inflamação das meninges (membranas que recobrem o cérebro). Tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez da nuca e distúrbios do sistema nervoso.

{n}Cuidados a serem tomados{/n}

Considerando que os vermes citados acima podem ocorrer tanto no interior dos caramujos, quanto no muco que eles secretam para se locomover, a população deve seguir alguns cuidados:

• Não pegar o caramujo sem proteger as mãos com luvas ou sacos plásticos;
• Higienizar frutas, verduras e hortaliças antes de ingeri-las, deixando-as mergulhadas em uma mistura contendo uma colher (sopa) de água sanitária para um 1 litro de água, durante 30 minutos e enxaguar muito bem antes de comê-las;
• Não comer, não beber, não fumar e não levar a mão ? boca durante o manuseio do caramujo. Caso queira comer, beber ou fumar, tire as luvas e lave as mãos após ter tido contato com o animal;
• Conservar o quintal e terrenos limpos, pois os caramujos africanos gostam de ficar embaixo de folhas, de entulhos, em lugares úmidos ou sem incidência de luz solar.
• Não usar venenos, pois você pode contaminar e afetar o meio ambiente.

{n}Como proceder ao encontrar o caramujo{/n}

• Não se apavore;
• Procure certificar-se de que é realmente o caramujo gigante africano;
• Colete os caramujos com as mãos protegidas com luvas ou sacos plásticos;
• Coloque-os em sacos plásticos resistentes;
• Após coletar os caramujos, entrar em contato com a para que os mesmos sejam encaminhados para incineração.

Os munícipes podem entrar em contato com a Vigilância Ambiental em Saúde pelos telefones 150 ou 3813-5055. Os terrenos baldios com presença de caramujo gigante africano serão notificados para que seus proprietários providenciem a capina e limpeza.