Cinco onças vivem no Cempas da Unesp de Botucatu

Poucos zoológicos do mundo possuem mais do que uma onça parda, também conhecida como suçuarana ou puma brasileiro, mantida em cativeiro. Entretanto, o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (Cempas), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, que cuida de diferentes espécies de animais silvestres, conta com cinco exemplares da espécie.

Instituição que é coordenada pelo professor doutor Carlos Roberto Teixeira tem um macho adulto de, aproximadamente, cinco anos e 46 quilos que está sob tratamento desde abril, por ter sofrido um atropelamento no km 328 da SP-300 – Rodovia Marechal Rondon e permanece em tratamento intensivo. Também estão no Cempas outras quatro onças pardas que foram criadas na mamadeira, em razão da morte de suas mães, vítimas de acidentes em rodovias. No início da semana um sexto animal chegou ao Cempas, por ter sido atropelado, mas teve que passar pelo processo da eutanásia (sacrificação) em razão de ter rompido a coluna cervical.

De acordo com Teixeira o motivo das onças estarem sendo atropeladas é em razão do desenvolvimento das monoculturas, o avanço das construções urbanas nas áreas verdes e o aumento das malhas viárias que diminuem os habitats naturais desses animais que acabam invadindo áreas urbanas e acabam feridos e, muitas vezes, mortos. 

“Esse tipo de animal solitário tem atividade noturna e precisa de um grande território de caça para sobreviver. Quanto mais crescem as malhas viárias, mais esses animais perdem o habitat. Na região de Botucatu temos dois tipos de onças: a parda e a pintada que é, ainda, mais rara. Ambas estão em vias de extinção. Depois temos felinos menores como a jaguatirica e gato do mato que vivem o mesmo problema da diminuição do território onde vivem”, explica o veterinário.

Alem disso, prossegue Teixeira, esse problema da expansão urbana também afeta as presas das onças, que vivem no mesmo habitat. “As fontes alimentares do território da onça incluem capivaras, porcos selvagens (catetos), veados, cotias, ovelhas, roedores, aves, peixes, entre outros”, enumera. “Com o desaparecimento das matas, os animais ficam cada vez mais expostos, acabam entrando em contato com o homem e o resultado é desastroso”. 

Vale lembrar que o Cempas que é considerado uma referência para todo o País, não está restrito aos felinos. Nele estão dezenas de aves e animais resultados de apreensões policiais, vítimas de atropelamentos em estradas ou ainda vindos de pessoas que criam os animais e depois resolvem abandoná-los, ou mesmo para tratamento médico. Também são recebidos espécies de animais originários de outros países para serem cuidados dos mais diferentes tipos de moléstias.

“Muitos animais que mantemos aqui são condenados a soltura, pois estão muito humanizados, ou seja, não conseguem viver sem a presença do homem e se retornarem ao habitat natural, seguramente, não sobreviveriam. “Mesmo aqueles que ainda estão em condições de viverem em liberdade têm que ser soltos de maneira adequada, pois no reino selvagem existe uma competição muito intensa pela disputa de território e não são raros os casos em que animais são mortos por um rival”, orienta o professor da Unesp.