Ambiental instala armadilhas para captura de abelhas

O agravo por animais peçonhentos foi incluído na Lista de Notificação Compulsória (LNC) do Brasil, publicada na Portaria Nº 2.472 de 31 de agosto de 2010 (ratificada na Portaria Nº 104, de 25 de janeiro de 2011). Essa importância se dá pelo alto número de notificações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

De acordo com os dados da Vigilância Epidemiológica da Secretária Municipal da Saúde de Botucatu, os agravos causados por abelhas africanizadas e vespas têm liderado o ranking nos últimos dois anos.

Em 2013, até o mês de novembro, foram atendidas pela Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) 830 solicitações para retirada de enxames de abelhas e vespas na Cidade. No mesmo ano foram registrados 87 acidentes causados por picadas de abelhas e vespas, contra 59 gerados por escorpiões, por exemplo.

Embora 92% dos agravos tenham sido classificados como leves, três óbitos decorrentes de acidentes com abelhas africanizadas foram registrados nos últimos cinco anos em Botucatu. Dois destes óbitos ocorreram devido ? criação inadequada de abelhas africanizadas em área urbana.

Diante destes riscos, a Vigilância Ambiental em Saúde, em parceria com o Setor de Apicultura da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, vem distribuindo “caixas-iscas” para capturar enxames de abelhas africanizadas na área urbana do Município.

As armadilhas são instaladas em prédios públicos onde há maior concentração de pessoas e nas regiões Central, Norte e Sul, que de acordo com o levantamento realizado pela VAS apresentam maior ocorrência de enxames de abelhas. O objetivo é capturar os enxames migratórios [que permanecem de 24 a 48 horas no local] antes que eles se fixem no ambiente urbano e venham causar acidentes. Até o início de 2014 a previsão é que sejam distribuídas 50 caixas-iscas na área urbana de Botucatu.

“Instalamos caixas-iscas no Cemitério Portal das Cruzes, Prefeitura, algumas escolas e postos de saúde, entre outros locais que estão na rota migratória das abelhas. Toda criação de abelhas africanizadas a menos de 300 metros de residências, estradas, criação de animais e movimentação de qualquer espécie, pode ocasionar acidentes, pois qualquer interferência externa pode despertar uma ação defensiva do enxame”, argumenta o supervisor de Serviços de Saúde Ambiental e Animal, Valdinei Moraes Campanucci da Silva.

{n}Como proceder diante de um enxame?{/n}

De acordo com Campanucci, caso se depare com um enxame de abelhas ou vespas, a pessoa deve manter a calma, se afastar do local e acionar a Vigilância Ambiental em Saúde.

“O importante é não atearmos fogo ou jogarmos veneno no enxame, pois isso desencadeará um comportamento de defesa das abelhas, atacando, assim, pessoas e animais em um raio de até 300 m²”, alerta.

As abelhas africanizadas podem se abrigar nos forros das edificações, caixas de inspeção, cupinzeiros, ocos de árvores, móveis velhos, entre outros lugares. Quando um enxame está fixado, tais insetos tendem a defender o território atacando pessoas e animais que se aproximam, podendo ocasionar acidentes graves e até a morte. Isso dificilmente ocorre quando tais insetos estão polinizando, ou seja, coletando alimento.

“Em caso de ataque de abelhas devemos promover uma fuga do local o mais rápido possível, protegendo, principalmente, cabeça e pescoço. Para que animais não se tornem vítimas do ataque, não deixemo-los presos ou confinados em canis, gatis ou baias, para que eles também possam escapar.” completa.

Em parceria com o Departamento de Apicultura da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp Botucatu, a VAS realiza a retirada dos enxames que oferecem riscos ? população. Os casos avaliados pela Vigilância, que são de difícil acesso, são encaminhados para o Corpo de Bombeiros (193).

O atendimento da VAS (3813-5055 ou 150) em caso de aparecimento de enxames de abelhas e vespas é de segunda a sexta-feira das 7 ? s 17 horas. Fora do horário comercial, finais de semana e feriados, o cidadão deverá ligar para a Guarda Civil Municipal (199) que acionará o plantão da VAS.