Alunos que fazem parte do JCC fazem visita ao asilo

Os velhinhos da Casa Pia São Vicente de Paulo – Lar Padre Euclides (asilo) passaram uma tarde diferente nesta quarta feira patrocinada pelos alunos da Escola Estadual Jonas Alves de Araújo, no Parque dos Comerciários, que fazem parte do programa da JCC – Jovens Construindo a Cidadania, projeto da Polícia Militar de São Paulo, que visa orientar os jovens estudantes sobre os malefícios da droga no organismo humano.

Acompanhados pelo policial militar Pontes que é um dos coordenadores do Programa JCC, os alunos chegaram ao asilo por volta das 14h30, carregando lanches e refrigerantes e tomaram café com os idosos. “Nós solicitamos que os alunos escolhessem uma atividade para desenvolver e eles não titubearam e citaram que gostariam de conhecer o asilo. Achamos a idéia maravilhosa e trouxemos os alunos para que eles pudessem trocar experiência com essas pessoas com muitas histórias pra contar”, colocou Pontes.

Depois do lanche, os velhinhos foram ao salão principal (onde passam parte do dia assistindo televisão), para assistir as apresentações musicais preparadas pelo JCC. Entre os “artistas” estava o major Jorge Miguel, que “armado” com sua sanfona mostrou que tem aptidão musical e deu um show acompanhado ao violão do músico Pardini, que faz parceria sertaneja com Ramiro Viola. Depois do show instrumental a dupla Jorge Miguel e Pardini, cantaram antigos sucessos sertanejos.

“É gratificante participar de uma ação como esta. Vir aqui e divertir essas pessoas maravilhosas que já viveram grandes experiências na vida é um privilégio para qualquer ser humano”, disse o major Jorge Miguel. “Na verdade, nós e esses jovens alunos saímos daqui com a alma lavada e com o coração cheio de alegria”, complementou Pardini.

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São, atualmente, 65 pessoas. Dessas 39 são mulheres e 24 homens. A mais nova tem 63 anos e a mais velha 96. A maioria abandonada pela família. Todas distribuídas em 18 casas. Assim é a Casa Pia São Vicente de Paulo – Lar Padre Euclides, que funciona na Rua Visconde do Rio Branco, em Botucatu, e para sobreviver recebe verbas do Município, do Estado e da União, além dos colaboradores, voluntários, sócios e parte da aposentadoria dos asilados. Tudo isso ajuda a manter a entidade funcionando, com um mínimo de conforto aos idosos. Alguns, muito lúcidos, outros enfermos e acamados.

Seu presidente é o ferroviário aposentado e taxista João Cláudio Alves, que coordena um quadro de 28 funcionários registrados, que consome boa parte do dinheiro do caixa. Isso sem falar de outros gastos básicos da entidade como água, luz, remédios, alimentação, entre outras despesas.

A Casa depende, principalmente, do voluntariado e dos colaboradores para sua funcionabilidade, com condições de dar um mínimo de conforto aos idosos. “Se a gente não tivesse colaboração externa não sei o que seria, pois o que a entidade recebe com as verbas governamentais não dá para pagar nem os funcionários. Então, precisamos de ajuda e não temos vergonha em pedir”, colocou o presidente.

Ele diz que muitas famílias abandonaram seus idosos. “Pode parecer absurdo, mas tem famílias que só vem no asilo quando recebe o comunicado da morte do idoso para buscar o que ele deixou. É triste, mas é verdade. Outros procuram de todas as formas entregar o idoso para o asilo cuidar. A gente aceita qualquer um que queira ficar aqui e que já tenha completado 60 anos, mas o idoso tem que querer ficar. Não é a família que decide isso. Aqui ninguém fica obrigado, pois asilo não é prisão”, frisa o presidente.

Alves salienta que gostaria que a população tivesse maior participação no asilo. “Convido as pessoas para que venham conhecer o asilo, para que conheçam o tratamento que os idosos recebem, que venham conhecer o trabalho que estamos desenvolvendo. Se não puder ajudar tudo bem, mas o calor humano faz bem aos idosos. Quem puder contribuir, venha ficar sócio. A pessoa interessada pode ligar para nosso telefone 3882-2005 ou vir nos visitar qualquer dia da semana. O asilo precisa de todos nós”, finalizou Alves.

Por: Quico Cuter
Fotos: Valéria Cuter