VAS e Veterinária monitoram mosquito da leishmaniose

A Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) de Botucatu, em parceria com a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, tem monitorado desde 2011 a possível introdução do mosquito transmissor da leishmaniose visceral no Município. O projeto é de Denise Theodoro da Silva, médica veterinária e mestranda na área de Saúde Animal, e busca identificar a presença do flebótomo ou “mosquito palha”, transmissor da leishmaniose.

Com o calor e maior incidência de chuvas, o ambiente fica propício para a proliferação do inseto. Mas até o momento, segundo a VAS, não foi detectada a presença do mosquito transmissor em Botucatu.
Na ação de monitoramento da leishmaniose são usadas armadilhas de emersão, em 30 pontos, distribuídas por todo o perímetro urbano com permanência de 15 dias no solo. Este modelo de armadilha tem como finalidade identificar os criadouros naturais deste mosquito.

O mosquito palha se adapta bem a abrigos úmidos e escuros, ao nível do solo rico em matéria orgânica, próximos ? vegetação em raízes e/ou troncos de árvores ou dejetos de animais, podendo ser encontrados inclusive em tocas de animais. A leishmaniose visceral, também conhecida como “calazar”, “esplenomegalia tropical” e “febre dundun”, é uma doença causada pelo protozoário tripanossomatídeo leishmania chagasi.

{n}Sintomas e prevenção{/n}

O principal reservatório da leishmaniose nas áreas urbanas são os cães que quando infectados podem ou não apresentar os sinais da doença que são: emagrecimento, perda de pelos, apatia, crescimento anormal das unhas, lesões na pele, entre outros.

Estes animais continuam a transmitir o protozoário para o mosquito que, após se infectar, transmite para outros cães e seres humanos. “Por isso é indicado a eutanásia para todos os animais positivos. Mas como Botucatu não tem a presença do vetor, registramos apenas casos importados da doença”, diz Valdinei Moraes Campanucci da Silva, supervisor de serviços de Saúde Ambiental e Animal da Prefeitura de Botucatu.

Os humanos, ao contrair leishmaniose, apresentam alguns sintomas como febre de longa duração, fraqueza, emagrecimento e palidez. Fígado e baço podem ter seu tamanho aumentado uma vez que a doença afeta estes órgãos, podendo atingir também a medula óssea.

As medidas de prevenção da doença consistem em manter o ambiente urbano livre de condições propícias ? proliferação do “mosquito palha” e manter os cães com coleiras especiais, impregnadas com deltametrina a 4%. “Esta coleira com este principio ativo é comercializada em pet shops e casas agropecuárias, e tem por objetivo repelir o inseto impedindo que o animal seja picado”, explica Campanucci.

O Ministério da Saúde é contra o tratamento de cães com leishmaniose, mantendo a posição de ser contra o uso de medicamentos para humanos no tratamento da doença em cães (Portaria Interministerial 1.426/08). A Secretaria Municipal da Saúde mantém o posicionamento do Ministério que está de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).