Unesp mantém vigilância contra superbactéria KPC

O professor/doutor Emílio Carlos Curcelli (foto), superintendente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp com base em informações do Setor de Microbiologia do Laboratório Clínico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (HCFMB) e da Comissão de Controle de Infecção Relacionada a Assistência ? Saúde (CCIRAS), divulgou uma nota sobre o combate que a Unesp de Botucatu vem travando com a superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase).

Ele explica que a superbactéria (KPC), na verdade um nome dado a um gene de resistência bacteriana aos antimicrobianos foi, primeiramente, encontrada na bactéria chamada Klebsiella pneumoniae. Desde 2007, o setor de Microbiologia do Laboratório Clínico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) realiza, nas amostras clínicas dos pacientes, investigação intensa e triagem de resultados para identificar a ocorrência de KPC.

“É com satisfação que o Laboratório Clínico e a Comissão de Controle de Infecção informam ? comunidade a existência de vigilância para esse tipo de superbactéria (KPC), muito antes da recente divulgação de sua ocorrência em outros serviços”, salienta Curcelli.

Lembra o especialista que a KPC é um tipo de enzima que tem provocado resistência de algumas bactérias aos antibióticos mais usados. Ela atinge principalmente pessoas hospitalizadas com baixa imunidade, como pacientes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A bactéria pode ser transmitida por meio do contato direto, como o toque, ou pelo uso de objetos. A lavagem das mãos é uma das formas de impedir a disseminação da bactéria nos hospitais.

A bactéria KPC não é como um vírus da gripe. Embora ela até possa transmitir-se pelo ar em gotículas de saliva, por exemplo, os riscos de uma pessoa saudável adquirir a bactéria de modo a levar a uma doença grave e chegar ao óbito são muito pequenos.
Especialistas da área ressaltam que é preciso entender que o principal foco de infecções são os hospitais e ainda assim, devido ? precariedade do sistema de saúde que encontra-se superlotado, com deficiência de profissionais, falta de equipamentos adequados e péssima qualidade na higienização, e este sim é o maior problema e a principal causa das infecções. Portanto, a higiene é sempre a melhor prevenção.

O surto de infecção pela superbactéria e a comprovação de que ela está presente em diferentes unidades hospitalares levaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a reunir especialistas em infectologia e microbiologia para traçar medidas de contenção do surto, prevenção, fluxos de notificação dos casos, diagnósticos e métodos de identificação laboratorial. Paralelamente, os diretores da agência discutem a proposta de restrição da venda de antibióticos, tema sob consulta pública.

O uso indiscriminado de antibióticos fora e dentro dos hospitais é apontado por especialistas — e foi citado pelo ministro da Saúde José Gomes Temporão — como uma das causas para o surgimento de superbactérias como a KPC. Durante lançamento do programa “Aqui tem Farmácia Popular”, em Brasília, na última quarta-feira, o ministro voltou a dizer que é preciso combater o uso “indiscriminado” de antibióticos, o que facilita, segundo ele, o surgimento de bactérias resistentes ao medicamento. Apesar da crescente quantidade de casos e de mortes provocadas pelo micro-organismo, o ministro garante que não há motivo para pânico.

{n}Sem temor{/n}

Outro alerta do ministério é que a população não precisa evitar a assistência hospitalar por medo de contrair a bactéria. Caso a pessoa está politraumatizada, tem um infarto, vai para o hospital ou morre. Lá tem o risco de contrair a KPC e outras bactérias. “Sempre teve, não é de agora”, esclareceu Temporão, acrescentando que para evitar riscos de novas infecções por KPC, está em curso a “tolerância zero” a práticas inadequadas por parte de profissionais de saúde e também de pacientes, acompanhantes e visitantes.

Para evitar novas infecções, os funcionários de saúde estão orientados a lavar a mão sempre antes e após examinar cada um dos pacientes. Quando um procedimento exigir corte, furo ou qualquer lesão, é preciso limpar bem a pele que, naturalmente, está coberta por bactérias e impurezas. Cateteres, sondas, bolsas de colostomia, respiradores, entre outros, devem ser trocados com maior frequência. É importante ressaltar que medidas como essas devem ser rotina nos hospitais, mas não ocorrem com rigor no dia a dia.

Os servidores estão sendo treinados para enfrentar o surto. As equipes que trabalham ? noite estão merecendo maior atenção das comissões de controle de infecção hospitalar no sentido de informar sobre os cuidados e cobrar que todas as medidas de segurança sejam adotadas. Uma pesquisa em hospitais de São Paulo revelou que no período noturno os profissionais tendem a lavar menos as mãos e a tomar menos precaução. Mas a bactéria não escolhe a hora para infectar um paciente ou o próprio profissional.

Ao entrar no hospital, seja acompanhante ou visitante de doentes, a pessoa deve lavar as mãos com água e sabão e, em seguida, passar álcool. Se tocar no paciente, deve repetir imediatamente o procedimento. Também é aconselhável evitar contato físico com outros doentes e, se houver, não esquecer de higienizar as mãos. No hospital as pessoas também devem evitar tocar em macas, mesas de cabeceira e equipamentos hospitalares. Havendo contato, a recomendação é lavar as mãos antes de encostar de novo no doente.