Saúde registra 17 casos importados de dengue

A Vigilância Ambiental em Saúde de Botucatu informa que neste ano já foram confirmados 17 casos importados de dengue, ou seja, de moradores de Botucatu que contraíram a doença em outro Município. Os pacientes infectados estão distribuídos nas seguintes regiões da Cidade: Norte (7), Sul (3), Central (3), Leste (2) e Oeste (2). Os números são preocupantes uma vez que se aproximam do total de casos contabilizados em todo ano passado: 21  (19 importados e dois autóctones).

Apesar de ainda não registrar casos autóctones em 2014, isto é, com origem no Município, a Secretaria Municipal da Saúde tem buscado agir com rapidez para quebrar o ciclo da doença que ocorre da seguinte maneira: mosquito local se infecta ao picar uma pessoa doente e transmite para outra pessoa sadia. Uma vez identificado o caso, equipes de agentes da VAS realizam o trabalho de redução de criadouros do mosquito Aedes aegypti em um raio de 200 metros das residências dos infectados.

Por conta deste avanço da dengue em todo Estado de São Paulo, a Secretaria Municipal de Saúde e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) também estão em sincronia com as unidades de saúde e prontos-socorros com objetivo de notificar de forma mais ágil novos casos e, assim, poder atuar no controle da doença.

Uma das barreiras que tem sido enfrentada em Botucatu é o alto índice (cerca de 44%) de casas fechadas e recusas dos moradores nas visitas dos agentes de saúde, fator que inviabiliza ações de combate como a nebulização (aplicação de inseticida que visa matar o mosquito alado), que deve ser realizada somente com um percentual de 85% dos imóveis trabalhados no bloqueio de controle de criadouros.

De acordo com a Vigilância Ambiental em Saúde, outra dificuldade tem sido conscientizar a população a eliminar potenciais criadouros do mosquito transmissor da dengue como vasos e pratos de plantas, piscinas, bebedouros de animais, materiais recicláveis, calhas, lonas, caixas d’água, entre outros recipientes e superfícies que possam acumular água.

“O ideal é que as pessoas tenham o costume de fazer dentro de suas rotinas semanais uma inspeção minuciosa onde moram, seja na área interna ou externa da casa, e que repliquem essa ação junto a seus vizinhos, diminuindo assim a presença do mosquito", orienta Rodrigo Iais da Silva, diretor do Departamento de Planejamento de Serviços em Saúde de Botucatu.

 

Atenção redobrada

O que preocupa as autoridades em saúde pública é justamente o aumento tardio no número de casos de dengue. A longa e atípica estiagem no verão deste ano, que registrou temperaturas acima da média, gerou por parte da população maior utilização de piscinas desmontáveis e de reservatórios artificiais devido ações de racionamento de água implantadas em algumas cidades do Estado.

Aliado a isso, o maior número de feriados prolongados provocou um aumento do deslocamento de pessoas a áreas endêmicas, ou seja, onde é alto o risco de contaminação do vírus como, por exemplo, as cidades litorâneas. Campinas, Jaú, Americana e algumas áreas da região metropolitana de São Paulo também enfrentam surtos da doença.

“Contra a dengue não podemos baixar a guarda em nenhum momento do ano, inclusive no inverno. Para se ter ideia, um ovo de um mosquito da dengue consegue ficar mais de um ano grudado em um recipiente. Se essa superfície não for lavada adequadamente, com água e sabão, uma simples chuva pode fazer o ovo eclodir e surgir novos insetos em menos de dez dias. É um ciclo bastante rápido”, alerta Silva.

 

Sobre a dengue

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda que pode ter manifestações assintomáticas até quadros graves e fatais. Ela é causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes), ocorrendo principalmente nos países tropicais, onde as condições são favoráveis à proliferação do seu vetor: o aedes aegypti.

O vírus da dengue possui quatro sorotipos: Denv 1, Denv 2, Denv 3 e Denv 4. Estes quatro sorotipos já circulam no Brasil. Desde 1990, quando se estabeleceu a transmissão de dengue no Estado de São Paulo, o padrão epidemiológico da doença tem apresentado períodos de baixa transmissão intercalada com a ocorrência de epidemias, estas geralmente associadas à introdução de novo sorotipo ou à alteração do sorotipo predominante.

Ao apresentar qualquer sintoma característico da dengue como febre alta, dor de cabeça, no fundo dos olhos ou nas articulações, a pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente. Em caso de suspeita de dengue a Secretaria Municipal da Saúde, através da VAS, iniciará todas as atividades necessárias para evitar a transmissão da doença no Município. 

 

Precauções

• Manter a caixa d’água sempre fechada e vedada adequadamente 

• Limpar periodicamente as calhas da casa 

• Não deixar acumular água sobre lajes, imperfeições do piso e recipientes 

• Lavar, com escova e sabão, a parte interna e borda de recipientes que possam acumular água (ex: bebedouros de animais) 

• Não expor recipientes à chuva, deixando eles sempre em lugares cobertos e de cabeça para baixo 

• Jogar desinfetante, detergente ou sabão em pó em ralos pouco utilizados 

• Não deixar acumular água nos pratos dos vasos de plantas