Saúde intensifica combate ? hanseníase e verminoses

A Prefeitura de Botucatu, através da Secretaria Municipal de Saúde e em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, tem realizando ao longo deste ano a “Campanha dos 3 Bichos”, promovida pelo Ministério da Saúde. Nela são priorizadas ações de prevenção, informação e educação sobre a hanseníase, o tracoma e a geo-helmintíase (verminoses).

No Município, o tratamento de verminoses tem sido realizado junto a alunos da escola Raimundo Cintra distrito de Vitoriana. Ele é realizado à base de Albendazol, medicamento utilizado no tratamento de verminoses e que é administrado apenas mediante autorização prévia dos pais. 

Já na escola Jonas Alves de Araújo Júnior, no bairro Comerciários, o assunto em destaque é a hanseníase. A busca ativa é feita com a distribuição de fichas de autoimagem, que contém um desenho do corpo humano. Nestas fichas os pais ou responsáveis marcam as lesões existentes na pele da criança e respondem a um breve questionário. Os alunos com lesões identificadas na pele são encaminhados à Rede Básica de Saúde para exame médico, confirmação ou exclusão do diagnóstico de hanseníase.

Em Botucatu, profissionais das unidades de saúde e também alunos do curso de Medicina Veterinária da Unesp participaram das ações de combate à essas doenças que incluíram palestras com o esclarecimento de dúvidas sobre sinais, sintomas, prevenção e tratamento dessas doenças. A meta é atingir aproximadamente 700 alunos, com idade de 5 a 14 anos.

Segundo o Ministério da Saúde, essas três doenças aparecem em situações de higiene inadequada e em que o saneamento básico é ineficiente. São chamadas de "doenças em eliminação ou negligenciadas’, pois já deveriam ter sido erradicadas do País. Em 2013, em sua primeira edição, a campanha foi realizada em 21.745 escolas de todo o Brasil, distribuídas em 852 municípios. Mais de 4,4 milhões de escolares receberam o formulário de autoimagem e 291 casos foram confirmados como hanseníase.

Para verminose foram realizados mais de 2,8 milhões de tratamentos. No ano passado participaram da ação 1.227 municípios brasileiros, onde 199.087 alunos foram examinados. Destes, 354 casos de hanseníase foram confirmados e 4,7 milhões de crianças com verminose foram tratadas. 

A realização do tratamento preventivo em estudantes está em conformidade com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) que preconiza o uso de medicação de forma periódica como uma medida preventiva e efetiva para redução da carga parasitária e das suas complicações. A estratégia no ambiente escolar, já utilizada e comprovada internacionalmente, reduz os custos do tratamento e potencializa os resultados da intervenção. 

 

Meta alcançada contra a hanseníase

Neste sentido, Botucatu mostra que está no caminho certo para a detecção precoce e tratamento da hanseníase. No último dia 17 de agosto, o coordenador médico da Atenção Básica Municipal, Dr. Paulo Roberto Zanatta Machado, esteve em São Paulo para participar da 1ª Reunião para Eliminação da Hanseníase nos Municípios – meta 2018. Na ocasião, Botucatu foi certificada por alcançar nota máxima no desempenho dos indicadores de avaliação da endemia hansênica. 

“Esta certificação vem não só para premiar o trabalho da Secretaria da Saúde no Município, bem como para estimular a continuação deste trabalho para manutenção dos bons resultados. Neste momento a Campanha dos Três Bichos se coloca como mais uma oportunidade de manter a população botucatuense longe da hanseníase e outras doenças. Daí a importância deste trabalho nas nossas escolas”, afirma. 

 

Sobre a hanseníase 

Trata-se de uma doença crônica, infectocontagiosa, causada por um bacilo capaz de infectar grande número de indivíduos, embora poucos adoeçam. É uma das doenças mais antigas que se tem registro na história e que se manifesta pela presença de manchas avermelhadas, esbranquiçadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com alteração da sensibilidade térmica, dolorosa e tátil. 

Antigamente era conhecida como lepra. Essas propriedades não ocorrem em função apenas das características intrínsecas do agente etiológico, mas dependem, sobretudo, da relação com o hospedeiro e o grau de endemicidade do meio, entre outros aspectos. Mesmo caracterizando-se pelo seu alto poder incapacitante, motivo histórico de estigma e exclusão, a doença tem tratamento e cura. Por isso, a estratégia para redução da carga de hanseníase baseia-se essencialmente no aumento da detecção precoce e na cura dos casos diagnosticados.

 

Verminoses (geo-helmintíases) 

As verminoses são parasitoses intestinais. Os principais sintomas são: cólicas abdominais, vômitos, anemia, perda de peso, apendicite aguda, fraqueza e cansaço. Estima-se que a prevalência, no País, varie de 2% a 36%, mas podendo alcançar 70% na população escolar, principalmente nos municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano – IDH.