Profissionais são orientados para diagnóstico de hepatites

Mais de 70 profissionais da Atenção Básica de Botucatu, entre médicos, auxiliares de enfermagem e enfermeiras, participaram nesta terça e quarta-feira (24 e 25), no Salão Azul da Secretaria Municipal de Educação, de um encontro com o Dr. Alexandre Naime Barbosa. Ele é diretor clínico do SAE (Serviço de Ambulatórios Especializados) de Infectologia – Dr. Domingos Alves Meira e professor da Faculdade de Medicina de Botucatu.

A ação foi organizada pela enfermeira Juliane Andrade, coordenadora do programa municipal DST/aids, para que estes profissionais que atuam nos postos de saúde da Cidade possam estimular junto à população o exame e diagnóstico precoce para hepatites virais, especialmente as do tipo B e C.

Grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, a hepatite é a inflamação do fígado. Pode ser causada por vírus, uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, além de doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. São doenças silenciosas que nem sempre apresentam sintomas, mas quando aparecem podem ser cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

Milhões de pessoas no Brasil são portadoras dos vírus B ou C e não sabem. Elas correm o risco de as doenças evoluírem (tornarem-se crônicas) e causarem danos mais graves ao fígado como cirrose e câncer. Por isso, é importante ir ao médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam a hepatite.

Segundo Barbosa, as hepatites B e C podem ser transmitidas basicamente através da relação sexual sem proteção, sangue ou uso de seringas não descartáveis. Neste sentido estão inclusos desde usuários de drogas e filhos de mães portadoras do vírus até pessoas que já foram submetidas a sessões de acupuntura, piercings e tatuagem, por exemplo.

“É importante que os profissionais da Atenção Básica estejam engajados para que possamos identificar mais rapidamente essas doenças, que demoram para se manifestar, mas quando se manifestam já estão em estágio muito avançado, podendo evoluir para uma cirrose no fígado ou câncer. Aí o tratamento é mais penoso ao paciente, o que também gera um custo ainda maior à saúde pública como um todo”, argumenta.

O médico infectologista ainda traz dados que pouca gesta sabe. No Brasil, a hepatite C já acomete mais de 3% da população – entre 2,5 milhões e 3 milhões de infectados (acima de doenças como o HIV). Já no Estado de São Paulo estimasse que mais de 440 mil pessoas tenham hepatite C, mas apenas 37 mil (menos de 10%) sabem que são portadoras da doença.

“A Sociedade Brasileira de Infectologia irá encabeçar neste segundo semestre uma forte campanha justamente para que a população fique alerta, busque informação e faça o exame. O público alvo são os nascidos entre a década de 50 e início da década de 80, período na qual temos a maior concentração dos fatores de risco, que são as transfusões de sangue e uso de seringas não descartáveis”, explica.

Os pacientes diagnosticados com hepatite em Botucatu são encaminhados ao SAE – Dr. Domingos Alves Meira. Hoje a unidade faz o acompanhamento de aproximadamente 400 pessoas com hepatite C e outras 200 com hepatite B, de Botucatu e região.

Parceria com CTA e SAE

Em Botucatu, as unidades de saúde oferecem testagem rápida e diagnóstico de DST/aids ao longo de todo o ano. Os casos positivos são encaminhados ao SAE Dr. Domingos Alves Meira (antigo Hospital Dia).

A Secretaria Municipal de Saúde também trabalha em parceria com o Centro de Aconselhamento e Testagem (CTA) instalado no Centro de Saúde Escola (CSE) da Unesp, na Vila dos Lavradores. Nele são realizadas orientações para prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, além da distribuição de preservativos.

A Secretaria de Saúde fornece medicamento para tratar as DST’s e algumas infecções do portador de HIV. Além disso, a equipe do programa DST/aids trabalha em parceria com diversos setores através de palestras, oficinas de sexo seguro, atendimentos individuais, e apoio a liderança LGBT.