Mosquito da dengue deixa a cidade em alerta

A Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) de Botucatu realizou no mês de julho mais uma atividade de Avaliação de Densidade Larvária (ADL). O objetivo dela é medir o índice de infestação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, em sua fase larvária, além de identificar quais são os principais recipientes que têm servido de criadouros a este inseto nos imóveis do Município. 

Apesar da escassez de chuvas neste período de inverno, o índice aponta que 1,5% dos imóveis visitados (total de 3.109) estavam com larvas do inseto, marca esta superior ao mesmo período do ano de 2014 que foi de 0,5% dos imóveis (total de 3.537). A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece a seguinte classificação de risco por infestação do mosquito transmissor: menor que 1% – satisfatório; de 1 a 3,9% – sinal de alerta e maior que 3,9% – risco de transmissão. 

Eliminar recipientes

Já o índice por grupo de “recipientes geral” do Município aponta que 45,7% dos recipientes com larvas de Aedes aegypti pertencem ao grupo de recipientes que não podem ser eliminados durante a visita do agente de saúde pública. São eles: pratos de plantas, bebedouros de animais, latas, frascos, plásticos utilizáveis, entre outros. Embora estes recipientes não possam ser eliminados, visto a utilidade aos moradores, eles podem ter a posição alterada e/ou condutas de manutenção que auxiliam na prevenção da proliferação do mosquito. 

Por exemplo: pratos de plantas deverão ser emborcados [virar com a abertura para baixo], furados ou retirados; bebedouros de animais deverão ser lavados e escovados no mínimo duas vezes por semana; latas, frascos e plásticos utilizáveis deverão ser armazenados ao abrigo das chuvas, entre outros procedimentos. O grupo de recipientes inservíveis somam 27,12% dos recipientes com larvas. Estes recipientes são aqueles que não têm utilidade, mas não foram descartados adequadamente e ficam acumulando água da chuva. 

O ADL aponta ainda que existe uma média de quatro “recipientes existentes” por residência. Recipientes existentes são aqueles que estão com água (sem larvas) e que poderiam se tornar criadouros de mosquitos. Portanto, a VAS ressalta que a participação contínua da população no combate ao mosquito transmissor da dengue, independente da época do ano, é fundamental. 

“Por mais intensa que seja as visitas dos agentes de saúde pública aos imóveis, com a realização de controle de criadouros e nebulização, se não houver a sensibilização da população para não deixar recipientes em condições de acumular água parada e limpa, a nossa Cidade enfrentará outra epidemia de dengue”, enfatiza Valdinei Moraes Campanucci da Silva, supervisor de Serviços de Saúde Ambiental e Animal de Botucatu.

Em 2015 foram 725 casos positivos de dengue: 657 autóctones (transmissão no próprio Município) e 68 importados (transmissão adquirida em outro município). Até o final do mês de julho de 2015 a VAS realizou um total de 57.958 visitas para o controle do mosquito transmissor da dengue.

 

Sobre a dengue

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda que pode ter manifestações assintomáticas até quadros graves e fatais. Ela é causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes), ocorrendo principalmente nos países tropicais, onde as condições são favoráveis à proliferação do seu vetor: o Aedes aegypti.  

O vírus da dengue possui quatro sorotipos: Denv 1, Denv 2, Denv 3 e Denv 4. Estes quatro sorotipos já circulam no Brasil. Desde 1990, quando se estabeleceu a transmissão de dengue no Estado de São Paulo, o padrão epidemiológico da doença tem apresentado períodos de baixa transmissão intercalada com a ocorrência de epidemias, estas geralmente associadas à introdução de novo sorotipo ou à alteração do sorotipo predominante.  

 

Ao apresentar qualquer sintoma característico da dengue como febre alta, dor de cabeça, no fundo dos olhos ou nas articulações, a pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente. Em caso de suspeita de dengue a Secretaria Municipal da Saúde, através da VAS, iniciará todas as atividades necessárias para evitar a transmissão da doença no Município.

 

Combate ao mosquito

• Manter a caixa d’água sempre fechada e vedada adequadamente 

• Limpar periodicamente as calhas da casa 

• Não deixar acumular água sobre lajes, imperfeições do piso e recipientes 

• Lavar, com escova e sabão, a parte interna e borda de recipientes que possam acumular água (ex: bebedouros de animais) 

• Não expor recipientes à chuva, deixando eles sempre em lugares cobertos e de cabeça para baixo 

• Jogar desinfetante, detergente ou sabão em pó em ralos pouco utilizados 

• Não deixar acumular água nos pratos dos vasos de plantas