Médicos do HC estão proibidos de fazer hora extra

“Comunicamos que as horas extras realizadas no Hospital das Clínicas deverão ser reduzidas na proporção de 50% na área de assistência de enfermagem e zeradas nas áreas médicas e administrativas a partir do mês de fevereiro de 2014”. Esse comunicado assinado pelo departamento de Gestão de Pessoas do HC, está causando inconformismo entre médicos.

A determinação pelo corte das horas extras atende ao ofício nº 72/2013 da Pró-reitoria da Administração da Unesp, como forma de contenção de despesas. Porém o que causou estranheza na classe médica é que esse ofício determina o corte de 50% das horas extras realizadas no HC, mas as médicos não podem mais fazer horas extras.

“Veio de São Paulo a ordem para cortar 50% das horas extras. Até aí tudo bem, mas o que gerou inconformismo é que as horas extras dos médicos foram zeradas. Ou seja, médico no HC não pode mais trabalhar além do horário, não pode fazer hora extra. Não estamos aqui contra a redução de custos, mas em Botucatu o corte para os médicos foi radical. A ordem que veio de São Paulo era para cortar 50%, mas esse percentual só valeu para a área de assistência de enfermagem. Para os médicos não valeu”, disse um médico do PS, que entregou os dois ofícios (Unesp e HC) ? reportagem.

Ele cita que a normativa deixou os médicos num impasse. “Se um médico estiver atendendo a uma emergência no Pronto Socorro, por exemplo, faltando poucos minutos para encerrar o expediente como é que faz? Larga o paciente e vai embora para não descumprir a norma ou fica com o paciente como manda a ética médica e corre o risco de ser punido por ultrapassar seu horário de trabalho? Estamos nos mobilizando para encontrar uma saída para esta situação”, disse.

Como o jornal estava em horário de fechamento não foi possível contatar a direção do HC para pudesse se manifestar sobre o assunto, mas o espaço está, democraticamente, aberto para que o HC faça as considerações que achar necessárias. A reportagem foi feita baseada em documentos (cópias fiéis) das duas instituições, devidamente, assinados pelas pessoas responsáveis.