Infectologia da Famesp atenderá detentos com Hepatite C

Reconhecido nacionalmente pelo trabalho desenvolvido com pessoas vivendo com HIV/aids e hepatites B e C, o Serviço de Ambulatórios Especializados de Infectologia (SAEI) “Domingos Alves Meira”, mantido pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), de Botucatu inova na assistência oferecida ? população carcerária do Estado de São Paulo.

No primeiro semestre de 2013, 40 detentos do presídio de Iaras, a 284 km de São Paulo, portadores de Hepatite C (VHC), iniciarão a triagem pré-tratamento no SAEI. O procedimento consiste na realização de exames subsidiários de alta complexidade, como os de biologia molecular, biópsia hepática e de genética do portador da doença, além de um check-up geral. Em média, o tratamento da doença pode durar de 6 meses a um ano e meio.

Pacientes portadores de infecção pelo HIV/aids já eram atendidos no SAEI, num ambulatório especial, coordenado pela infectologista assistente da unidade, Mônica Mendes. Em relação ? hepatite C, esse tratamento ainda não era realizado em função da dificuldade em mobilizar os presos uma vez por semana até o serviço de saúde, circunstância que envolve muitos profissionais na escolta e risco ? segurança dos presos, equipe de saúde e dos usuários do serviço.

Médicos da unidade prisional de Iaras estão passando por treinamento com a equipe médica do SAEI a fim de realizar a monitorização durante o tratamento na própria penitenciária. “Os presos passarão por uma ou duas consultas em nossa unidade e os médicos do presídio, supervisionados pela nossa equipe, ficarão responsáveis pelo controle de rotina durante a terapia”, explicou Alexandre Naime Barbosa, diretor de assistência do SAEI.

De acordo com Naime, pessoas que já pertenceram ao sistema carcerário têm 10 vezes mais risco de ser portador do VHC. “Isso ocorre em virtude, principalmente, de três fatores: múltiplos parceiros sexuais do mesmo sexo sem uso de preservativo, compartilhamento de objetos que podem conter sangue (lâmina de barbear) e uso de drogas injetáveis e inalatórias”, afirmou.

{n}Hepatite C{/n}

A doença é causada por um vírus transmitido principalmente pelo sangue contaminado, mas a infecção também pode passar através das vias sexual e vertical (da mãe para filho). O portador do VHC pode desenvolver uma forma crônica da doença que leva a lesões no fígado (cirrose) e câncer hepático. No Brasil, há cerca de 3 milhões de pessoas infectadas pelo vírus. Não há vacina contra a doença.

No início do tratamento, os sintomas são semelhantes aos de uma gripe forte: dores no corpo, náuseas, febre. Perda de cabelo, depressão, vômitos, são outros sintomas possíveis. Ascite (barriga d’água), cansaço extremo, confusão mental podem ser sintomas do estado avançado da doença.

Fonte: Assessoria de Comunicação e Imprensa da FMB