Infarto: Hábitos saudáveis e diagnóstico rápido podem salvar vidas

Data comemorativa traz reflexões sobre os riscos de doenças cardiovasculares

imagem_release_762259Nesta quinta-feira (29), é comemorado o Dia Mundial do Coração. A data foi estabelecida pela Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) no ano 2000 e recebe o apoio das Organizações Mundial e Pan-Americana da Saúde. O objetivo deste dia é conscientizar as pessoas sobre os riscos das doenças cardiovasculares e sobre a necessidade de favorecer ambientes saudáveis para uma melhor qualidade de vida.

As doenças cardiovasculares acometem mundialmente cerca de 200 milhões de pessoas. Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde, males como, por exemplo, o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC) são as causas principais de morte no mundo (17,3 milhões por ano) e este número pode atingir a marca de 23 milhões em 2030. As mortes provocadas por malária, AIDS e tuberculose, quando somadas, atingem o número de 3,86 milhões/ano, mostrando a dimensão da quantidade de pessoas que falecem por conta de doenças cardiovasculares.

imagem_release_762261Dentre estas doenças, a mais comum é o infarto agudo do miocárdio – conhecido popularmente como ataque cardíaco, que consiste na necrose (morte) do músculo do coração, pela obstrução de artérias (chamadas coronárias) que irrigam a região do miocárdio. No Brasil, segundo dados do DATASUS, morrem, anualmente, cerca de 66 mil pessoas por infarto do miocárdio (principal causa isolada de morte no país).

O médico responsável pela Cardiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), Dr. João Carlos Hueb, explica como pode se manifestar um infarto. “A principal manifestação é a dor torácica que, normalmente, é retroesternal (na região central do peito), de forte intensidade e que irradia para alguns locais, como o braço esquerdo, os ombros, o dorso e a mandíbula (às vezes confundida com uma dor de dente). Quando a pessoa tem um infarto da parede inferior do coração, ele pode ter uma dor no estômago. Essas são as características principais do infarto. Às vezes, a pessoa que sofre um infarto fica muito pálida, com suor frio, náuseas e vômitos. É um quadro relativamente grave que traz um desconforto extremamente importante para o paciente”.

A manifestação do infarto, segundo Dr. João, pode acontecer também de forma silenciosa (sem dor), e um dos grupos em que esta situação é mais freqüente são os diabéticos, que podem apresentar palidez, queda de pressão e desmaios como sintomas da doença. Outro ponto importante a ser destacado é em relação à incidência na mulher. “Antes da menopausa, há menos casos de infarto no sexo feminino do que no sexo masculino, pois a natureza protege a mulher na fase de procriação. Depois da menopausa, a incidência de infarto nela se iguala à do homem, por isso a importância das mulheres aumentarem os cuidados neste período”.

Hueb explica que, apesar da quantidade maior de infarto nos idosos, pessoas mais jovens também podem ser acometidas pela doença, e que padrões familiares e genéticos também são importantes para a avaliação dos riscos de infarto. “Lógico que os mais idosos possuem maior risco da doença, mas a questão da idade, hoje, é um fator que nos tem trazido algumas surpresas, porque, a cada dia que passa, pessoas mais jovens sofrem infarto”.

Os principais fatores de risco para o infarto são: tabagismo, hipertensão arterial, diabetes e elevação acentuada dos índices de colesterol, além de outros riscos secundários, como: obesidade, sedentarismo, estresse e depressão. Dados apontam que, quando o paciente tem associação de tabagismo, hipertensão e diabetes, a chance de vir a ter um infarto aumenta em 13 vezes. O tabagismo, isoladamente, aumenta em 2,87 vezes este risco; o diabetes, 2,37, a hipertensão, 1,91 e a obesidade abdominal, em 1,6 vezes.

A realização de um atendimento rápido ao paciente que possui os sintomas é crucial para se reduzir a mortalidade e as seqüelas recorrentes do infarto pois, a cada minuto que o paciente fica com a coronária entupida, milhões de células do músculo cardíaco morrem, sendo este um processo irreversível. “Para se ter uma ideia, das mortes por infarto, 50% delas ocorrem em casa: o paciente não consegue nem chegar ao Hospital. Quando mais rápido você conseguir ajudar a pessoa, menor é a mortalidade, principalmente nos dias de hoje, em que há as chamadas Unidades Coronarianas. No HCFMB, temos uma Unidade de excelência com uma das menores taxas de mortalidade do Brasil, pois o trabalho feito aqui é muito bom”.

Segundo Dr. João, o melhor tratamento para a doença cardiovascular é a prevenção, com a adoção de um estilo de vida mais saudável: boa alimentação (com pouca gordura e ingestão controlada de carboidratos), prática de exercícios físicos, evitando o sedentarismo e a obesidade, além de tratar adequadamente a hipertensão e o diabetes (se houver).

O médico ressalta a importância deste Dia Mundial do Coração para a conscientização da sociedade. “Ter um dia específico para chamar a atenção em relação às doenças do coração é muito importante, porque elas são prevenidas diariamente, no nosso estilo de vida. Nós devemos considerar, assim, todo dia como Dia do Coração, para que a gente não se esqueça dele”, finaliza.