Hospital Sorocabana demite funcionários para desapropriar prédio

“Estamos no meio de uma tempestade e não existe parto sem dor”. Foi o que disse na manhã deste sábado o prefeito João Cury Neto que, acompanhado do vice-prefeito e secretário de Saúde, professor Antônio Luiz Caldas Júnior, esteve reunido com funcionários do Hospital Regional Sorocabana para discutir a demissão dos 120 funcionários do Hospital Regional Sorocabana, dando importante passo para que o processo de desapropriação do prédio seja efetivado e utilizado para ser transformado em um Pronto Socorro (PS) pediátrico, administrado pela Unesp e, totalmente, desvinculado da Associação Beneficente dos Hospitais Sorocabana (ABHS).

A demissão dos funcionários pela ABHS foi decisivo para dar continuidade a esse processo. Esses funcionários serão recontratados em caráter temporário até que seja realizado um concurso público para contratação definitiva dos profissionais. O decreto nº 8.623 tornando o prédio do hospital de utilidade pública foi assinado no dia 31 de maio.

A preocupação do prefeito é que a ABHS cumpra o compromisso de pagar os salários dos funcionários que vence no próximo dia 5. O prefeito revelou que o superintendente do ABHS, Carlos Amorim, que acompanhou o processo da assinatura das demissões, se comprometeu em reverter R$ 45 mil, que estava no caixa do hospital de Botucatu, para reverter aos funcionários.

“Para cobrir a folha de pagamento do mês de junho, será necessário R$ 124 mil. O senhor Amorim nos garantiu que até terça-feira próxima, os R$ 45 mil serão devolvidos. Para completar a folha de pagamento temos o serviço prestado ao Estado através do Sistema Único de Saúde (SUS) e outros convênios”, explicou João Cury.

Então acredito, prossegue o prefeito, que iremos conseguir superar mais esse obstáculo. “Desde o início nós fomos bastante transparentes e afirmamos que este não seria um processo fácil, mas a assinatura da demissão dos funcionários que ficaram desvinculados da ABHS, foi um grande passo para que os funcionários possam entrar na Justiça e garantir que o dinheiro pago ? desapropriação (cerca de R$ 1,1 milhão) seja revertido para pagar direitos trabalhistas”, revelou Cury.

Vale lembrar que a Famesp, entidade de direito privado, sem finalidade lucrativa, instituída pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Unesp, se comprometeu a absorver, por tempo determinado, o corpo de funcionários do Sorocabana. Mesmo com a desvinculação destes profissionais da ABHS, as verbas rescisórias dos mesmos serão pagas corretamente. Esse processo, bem como a transferência de gestão, será toda mediada pelo Ministério Público do Trabalho de Bauru.

Para Caldas, esta iniciativa da desapropriação, aliada a outros equipamentos que estão em fase de execução, como o Hospital Estadual, Clínica de Reabilitação para Dependentes Químicos, unidade da Rede de Reabilitação ‘Lucy Montoro’ e o AME (Ambulatório Médico de Especialidades), reascenderá a verdadeira vocação de Botucatu como importante pólo da saúde regional e até estadual.

“Tudo o que prometemos estamos cumprindo. Essa é uma situação complexa que não se resolve da noite para o dia. Por muitos anos esse hospital sofreu muito com desmandos, enganos e desilusões e isso vai acabar. A partir dessa desapropriação, escrevemos uma nova página na história da saúde em Botucatu. A desapropriação é um caminho sem volta e o nosso Sorocabana continuará de portas abertas, atendendo as pessoas que mais precisam ”, garante.

O vice-prefeito enfatizou o grande esforço político para não apenas resolver o problema que envolve o Hospital Sorocabana, mas principalmente oferecer um sistema de saúde mais eficiente ? população. “Estamos conseguindo cumprir esse compromisso pactuado com a comunidade. Há tempo para plantar e tempo para colher. Como na questão do Pronto Socorro, a solução está acontecendo no tempo certo. Quando apresentamos nossa proposta de reformulação do sistema fomos acusados injustamente de estar privatizando a saúde. Espero que esse passo nos permita, em um curto espaço de tempo, inaugurar nosso Pronto Socorro Infantil e colocar as enfermarias que hoje estão subutilizadas no Hospital Sorocabana para funcionarem a pleno vapor”, declarou.