HC se manifesta sobre acusação de morte por negligência

A Superintendência do Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu se manifestou sobre a acusação de negligência médica no caso da morte de Ozeni Chaves, de 47 anos de idade, que é bastante conhecido no Camelódromo de Botucatu, onde foi administrador por vários anos. A esposa Renata Aversa Chaves garante que foram dados ? família diagnósticos diferentes antes da morte do paciente por parada cardiorespiratória causada por dissecção da aorta.

Essa doença também conhecida como dissecção aórtica é um rasgão na parede da aorta (a maior artéria do corpo). Este rasgo faz com que o sangue circule entre as camadas da parede da aorta, forçando as camadas. A dissecção da aorta é uma emergência médica e pode levar ? morte rapidamente, mesmo com um tratamento adequado. Se a dissecção romper a aorta completamente (as três camadas da artéria), uma perda rápida e massiva de sangue irá ocorrer. As dissecções aórticas que resultam na ruptura do vaso têm uma taxa de 90% de mortalidade se uma intervenção médica não é realizada a tempo.

{n}Relembrando o caso{/n}

A mulher revela que na sexta-feira do dia 22 de novembro seu marido passou a ter fortes dores no peito e ela o encaminhou ao Pronto Socorro (PS) Regional, gerido pelo HC aonde foi diagnosticado que a dor era em razão de um problema muscular. Teria passado aquela noite em observação e no dia seguinte recebido alta.

“Porém, antes de chegar em casa, ele voltou a reclamar de dores e ao invés de retornar ao PS da Cidade, levamos direto ao PS da Unesp, onde ficamos o dia inteiro e ele só foi atendido ? noite quando disseram que as dores eram causadas por água no pulmão e gastrite nervosa. Até mofina para aliviar as dores ele tomou e recebeu alta. As dores continuaram e na madrugada de quarta-feira (27) retornamos com ele ao HC. Só então foi feito a tomografia computadorizada que detectou a dissecção da aorta”, lembra a mulher.

Ela ainda conta que tomou conhecimento de que o marido teria que ir a um hospital especializado, pois os recursos da Unesp estariam esgotados e nada poderia ser feito. O pior, segundo a mulher, é que ele não resistiria uma viagem de ambulância e a família teve que alugar um helicóptero de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas, além disso, era preciso encontrar vaga em um hospital.

“Foi uma luta contra o tempo e com ajuda da Secretaria de Saúde de Botucatu e da Secretaria Estadual de Saúde conseguimos uma vaga no Instituto do Coração (Incor) em São Paulo. Conseguimos chegar ao hospital na quinta-feira (28) e ele depois de ser observado por uma equipe médica foi para a sala de cirurgia ? s 21 horas e ? s 3 horas da madrugada de sexta-feira (29) recebemos a informação de que ele não havia resistido e morreu. Ouvimos dos próprios médicos de São Paulo que se o problema tivesse sido diagnosticado antes ele teria sobrevivido”, relatou a mulher.

{n}Íntegra da nota do HC{/n}

“A Superintendência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), através de sua Diretoria de Assistência ? Saúde, informa que o paciente Ozeni de Jesus Chaves, 48 anos, foi atendido no Pronto Socorro Municipal no dia 22 de novembro, por volta das 22h30, com dor torácica atípica, permanecendo naquele local para realização de exames complementares e recebendo medicação. Foi liberado após resultado de exames normais e melhora clinica.

Ele foi ao Pronto Socorro do HC no dia 23 de novembro, com as mesmas queixas, sendo novamente submetido a exames que nada mostraram. Neste dia, o paciente não aguardou a orientação médica, porém retornou no dia seguinte (23), pela manhã, quando foi medicado e orientado. No dia 27 de novembro foi atendido novamente no PS do HC, por volta das 5 horas da manhã, sendo submetido a novos exames no decorrer do dia, que detectaram dissecção de aneurisma de aorta torácica, com indicação cirúrgica. Por tratar-se de cirurgia complexa, não realizada neste HC, o paciente foi encaminhado para a UTI para controle clínico pré-operatório, sendo transferido para o Instituto do Coração, em São Paulo, no dia 29 de novembro.

A Superintendência do HCFMB lamenta profundamente a evolução do caso, compreende o sofrimento de seus familiares neste momento e se coloca ? disposição para qualquer novo esclarecimento.”