FMB é premiada em Encontro de Cirurgia Vascular

A troca de experiências, o intercâmbio entre especialistas e o aperfeiçoamento profissional são alguns dos benefícios adquiridos pelos participantes de congressos. O ganho é ainda maior quando um trabalho apresentado é premiado, pois o reconhecimento demonstra a seriedade na elaboração do estudo. Foi o que ocorreu com a disciplina de cirurgia vascular da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB). Nos dias 15 e 16 de maio, a Instituição foi premiada no XIII Encontro São Paulo de Cirurgia Vascular e Endovascular.

O evento, realizado em São Paulo, reuniu especialistas da área de todo o País. A programação do encontro incluía palestras, mesas redondas e discussões de diferentes casos envolvendo a cirurgia vascular e endovascular. “Os temas foram cuidadosamente selecionados e convidados palestrantes com base apenas em sua experiência na área e didática, sem qualquer outro fator que influenciasse essa escolha”, explicou o presidente do encontro, Marcelo Moraes.

O trabalho da FMB premiado é intitulado “Avaliação da Resposta Imunológica de Vasos Sanguíneos Produzidos por Engenharia de Tecidos – Modelo Experimental em Coelho”. O estudo consiste na proposta de superar um desafio clínico: produzir novos vasos sanguíneos para pacientes que estão em situação crítica e recebem a indicação de amputação de membros do corpo.

O estudo foi desenvolvido por Natália Fugiwara Muchiutti (médica residente em cirurgia vascular da FMB); Matheus Bertanha (docente da FMB); Marcone Lima Sobreira (docente da FMB); Ana Lívia C. Bovolato (mestranda); Regina Moura (docente da FMB); Camila Renata Correa (docente da FMB) e Elenice Deffune (docente da FMB). O experimento é fruto de um trabalho conjunto entre o Laboratório de Engenharia Celular do Hemocentro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) com a Disciplina de Cirurgia Vascular da FMB.

 

O Trabalho

O trabalho consiste na proposta de superar um desafio clínico. Produzir novos vasos sanguíneos para pacientes que estão em situação crítica e acabam tendo a indicação de amputação de membros. Os vasos sanguíneos são “encanamentos” especiais que conduzem o sangue. Este “encanamento” tem na sua parte interior uma fina camada de células chamada “endotélio”, que tem uma função extremamente importante: sem ela, o vaso entope.

No entanto, estas células levam uma marcação específica de indivíduo a indivíduo, ou seja, o vaso é rejeitado pelo organismo se não for compatível. Diante disto, este trabalho utiliza vasos de um animal doador, remove as células de reconhecimento pessoal (aquelas que possuem marcadores de histocompatibilidade) tornando este vaso sanguíneo um “encanamento semiacabado”, mas que tem exatamente o formato e a estrutura de vasos sanguíneos, também denominado arcabouço.

Esta etapa se chama descelularização (remoção das células). Pode-se constituir um banco de veias de diferentes calibres para serem usadas como estruturas para enxertos. Mas, para isso, o arcabouço precisa receber células do indivíduo que vai recebê-lo, para que não sofra rejeição.

Nesse experimento, é feita a retirada da gordura do animal receptor e processadas as células-tronco mesenquimais (CTM) nele contidas no Laboratório de Engenharia Celular. Aplicam-se estas células no interior do arcabouço.

O procedimento foi realizado em 4 grupos: um grupo recebeu uma veia normal de outro indivíduo; o segundo recebeu apenas o arcabouço (veia descelularizada); o terceiro recebeu o arcabouço recoberto internamente com CTM de outro animal (alogênicas); e o quarto recebeu o arcabouço recoberto com CTM dele mesmo (autólogas). Isto foi feito para se comparar o potencial imune dos vasos, ou seja, se o implante seria rejeitado.

O grupo que recebeu o arcabouço recelularizado com CTM autóloga não apresentou rejeição e foi melhor endotelizado em comparação com os demais grupos, ou seja, o arcabouço recoberto com células autólogas foi muito melhor incorporado que o arcabouço sem células ou nos alogênicos.