Família quer entrar no MP contra morte de adolescente

Fotos: Quico Cuter

Familiares do jovem Alexsander Felipe Silva, de 17 anos de idade, que morreu de meningite meningocócica no Pronto Socorro (PS) Regional, que é administrado pela Superintendência do Hospital das Clínicas (HC) de Rubião Júnior, realizaram na tarde deste sábado (14) uma passeata de protesto pela Avenida Dom Lúcio contra o que chamam de mau atendimento dado ao paciente que só teve a causa da morte confirmada mais de 48 horas após seu sepultamente.

Alexsander, que nas redes sociais era conhecido como Alleh Salimeni, faleceu por volta da 03 horas da madrugada de segunda-feira da semana passada (dia 9), depois de passar mais de 14 horas no PS, segundo a família, numa cama plástica aguardando vaga no HC. Como esse tipo de doença é altamente contagiosa, o paciente deveria ficar em completo isolamento e seu caixão lacrado para evitar o contágio em outras pessoas, fatos que não acorreram, segundo os familiares, que prometem entrar com uma ação junto ao Ministério Público (MP) cobrando explicações da Superintendência do HC.

{n}Relembrando o caso{/n}

A mãe desse rapaz, Marilza de Fátima Silva, alega que ele deu entrada no Pronto Socorro Regional que é gerido pelo Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu na noite de sábado (7), por volta das 20 horas, com dores pelo corpo, calafrios e dores nas articulações e nos braços. O diagnóstico médico atestou que ele tinha uma intoxicação alimentar. Recebeu soro e teve alta médica saindo do local sem nenhum receituário.

Marilza Silva lembra que durante a madrugada de domingo (8) a situação do filho se agravou e ele passou a noite inteira reclamando de dores. A família retornou com ele ao Pronto Socorro pela manhã, ? s 8 horas, permanecendo o dia inteiro em um colchão de plástico aguardando uma vaga para ser internado no HC. Durante esse período outros diagnósticos foram dados ? família sobre o estado de saúde do garoto: baixo índice de plaquetas e complicações nos rins, câncer de pâncreas, leptospirose e dengue hemorrágica. Por volta das 23h50 o garoto piorou e foi levado, emergencialmente, a uma sala do PS e morreu durante a madrugada de segunda-feira (9), ? s 03 horas.

“Meu filho não teve o tratamento que um ser humano merece. Passei naquele PS as piores horas de minha vida, vendo meu filho sofrer e ser mal atendido, sem saber ao certo o que ele tinha e por qual razão tinha morrido, já que nos passaram vários diagnósticos. Chegaram até a chamar a Polícia Militar (PM) porque acharam que eu estava dando escândalo. Fui para casa arrasada com o que fizeram com meu filho e sem saber a razão de sua morte, já que não me deram nenhum documento”, lamenta a mulher.

Ela enfatiza que sua surpresa foi maior ainda quando na sexta-feira (13) uma equipe da Saúde de Botucatu esteve em sua casa levando remédio para toda família. “Foi então que fiquei sabendo que a causa da morte tinha sido por meningite meningocócica. Olha o absurdo!”, conta a mulher. “E a demora para fazer o diagnóstico pode ter contagiado outras pessoas inclusive os atendentes do PS que estiveram com ele. Até o caixão permaneceu aberto no velório porque ninguém sabia da meningite”, acrescenta a mulher. Familiares e amigos de Alexsander decidiram fazer a passeata para mostrar o inconformismo com a morte do garoto.

Vale lembrar que a Superintendência do Hospital das Clínicas, responsável pela administração do Pronto Socorro Regional, ainda não se manifestou sobre o caso. A direção do Acontece encaminhou uma nota dando oportunidade para que a superintendência ocupe o espaço que for necessário para dar sua versão do caso.