Estudo analisa fungo que afeta trabalhadores rurais

Uma tese de doutorado da biomédica Michele Janegitz Acorci Valerio, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB), recebeu menção honrosa no prêmio Capes de Tese 2010. Essa é a segunda premiação consecutiva, vinculada ao programa e dentro da mesma linha de pesquisa. O reconhecimento foi divulgado dia 15 de dezembro, em Brasília (DF). A ação é promovida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O estudo, que contou com orientação da professora Angela Maria Victoriano de Campos Soares, analisa a interação dos neutrófilos (células do sistema imune) com o Paracoccidioides brasiliensis (Pb 18) – fungo causador da paracoccidioidomicose, que se manifesta na maioria os países da América latina e afeta principalmente trabalhadores rurais, que estão constantemente em contato com a vegetação e solo. A região de Botucatu considerada uma área endêmica para essa doença.

Sua forma aguda é habitualmente grave, de evolução rápida e compromete o baço, fígado, linfonodo – parte do sistema linfático – e medula óssea. A forma crônica tem duração prolongada, instalação lenta e gradual e as lesões permanecem localizadas ou envolvem mais de um órgão ou sistema. Trata-se de uma doença grave, que pode matar se não tratada.

A proposta da tese defendida por Michele foi mostrar de que forma os neutrófilos – as primeiras células a entrarem em contato com o fungo causador da paracoccidioidomicose – respondem ? ação desse invasor. Outro objetivo é entender como acontece a infecção pelo fungo e quais mecanismos imunológicos ocorrem no início desse processo. Os resultados obtidos contribuem para o melhor entendimento da interação desse fungo com o sistema imunológico humano.

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