Encontro de Infectologia reúne mais de 300 participantes

Zika vírus, dengue, chikungunya, hepatite C, soro contra o veneno de abelhas, infecção hospitalar, sarampo, febre maculosa, HIV/Aids foram alguns dos temas discutidos durante o 18º Encontro de Infectologia do Interior Paulista, evento realizado no mês de junho.

A iniciativa, promovida pela Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), foi realizada no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) e contou com a presença de professores, médicos, alunos de graduação, pós-graduação, residentes e profissionais da saúde de todo o Estado de São Paulo.

 

Conferência Medicina Translacional – Da Fazenda ao Paciente Iniciando as atividades, o

professor titular da FMB/Unesp Benedito Barraviera discutiu as dificuldades de transformar as descobertas científicas feitas em laboratório em produtos que possam ser aplicados em benefício da saúde dos seres humanos. O trabalho de quase duas décadas desenvolvido pelo CEVAP, em parceria com muitas outras instituições, serviu de exemplo ao serem expostos dois cases de sucesso: o selante de fibrina (derivado do veneno de serpentes) e o soro contra o veneno de abelhas.

Este último tema teve especial destaque, pois o número de mortes por múltiplas picadas de abelhas proporcionalmente já está quase se igualando à mortalidade por picadas de serpentes, mas ainda não há tratamento específico com um soro neutralizante. Por conta disso, pesquisadores do CEVAP e do Instituto Vital Brasil, em parceria com a FMB/Unesp, desenvolveram um produto que será testado brevemente em um protocolo clínico, sendo um possível candidato a salvar as vidas das vítimas de múltiplas picadas de abelhas. 

 

Mesa Redonda – Infecções Hospitalares

Na sequência, as infecções hospitalares tiveram espaço, sendo abordada inicialmente a influência climática e a sazonalidade, bem como o impacto dessas variáveis nas taxas de infecção dentro de serviços de saúde, tema ministrado pelo professor adjunto da FMB Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza. O impacto financeiro das infecções hospitalares, e a economia gerada pela prevenção dessas infecções foram as questões levantadas pelo professor Fernando Gongora (FAMERP), que demonstrou a relação custo-benefício do controle bem-sucedido efetuado pela ação de uma Comissão de Controle de infecção Hospitalar (CCIH).

Uma visão global e atualizada sobre as normas de precaução para bactérias multirresistentes foi a fala do Dr. Luiz Gustavo Cardoso (UNICAMP), que revisou as indicações de isolamento para esses pacientes. Finalmente, fechando a mesa, a professora Lucieni de Oliveira Conterno (FAMEMA) discutiu a qualidade dos dados científicos, e o grau de evidência no estudo das infecções hospitalares, trazendo uma visão mais racional na interpretação dos dados da literatura médica. 

 

Conferência Hepatite C – Como Tratar nos Dias de Hoje

Ficou sob responsabilidade da Dra. Aline Vigani (UNICAMP) revisar o incrível avanço científico vivido nos últimos anos na esfera do tratamento da Hepatite C, que, com as medicações de última geração que estão chegando ao Brasil, promove a cura de cerca de 90% dos pacientes tratados. Apesar do otimismo pela alta eficácia da terapêutica, foram também abordadas as dificuldades de acesso a essas medicações, bem como o diagnóstico das pessoas infectadas cronicamente pelo vírus da Hepatite C, que não atinge 20% da população afetada no Brasil. 

 

Mesa Redonda – Controle de Doenças e Imunização

Nesta mesa, o professor Benedito Fonseca (USP-RP) iniciou as discussões abordando Dengue e Chikungunya, e até mesmo Zika vírus, doenças que muitas vezes têm difícil diagnóstico diferencial pela grande semelhança de sinais e sintomas. O principal alerta foi dado em relação à dengue, por meio da qual a presença de comorbidades está associada à maior letalidade. Na sequência, a professora Mariângela Ribeiro Resende (UNICAMP) abordou a questão do Sarampo, doença que, apesar de ser completamente evitável pela vacinação, ainda conta com epidemias no exterior, e alguns surtos no Brasil, demonstrando as falhas em estabelecer a efetividade de programas globais de vacinação.

Encerrando os trabalhos da mesa, ficou a cargo do professor Rodrigo Angerami (UNICAMP) destacar a problemática da febre maculosa, doença de grave mortalidade, causada por uma bactéria, e transmitida pela picada de carrapatos. Esta infecção ainda mata muitas pessoas todo ano, e nas oito mortes ocorridas esse ano até agora, houve dificuldade em estabelecer o diagnóstico, pois a doença é muito semelhante a dengue. 

 

Conferência Infecção pelo HIV e Inflamação Crônica

Nesta última atividade científica, a Dra. Mônica Jacques Moraes (UNICAMP) ressaltou a importância da infecção pelo HIV, não somente como uma doença imunossupressora, mas também com potencial inflamatório e de ativação imune, o que gera um ambiente estimulador de doenças crônicas como aterosclerose, demência, doença renal entre outras. Uma das principais medidas para diminuir esse impacto inflamatório nos dias de hoje é a introdução precoce da terapia anti-HIV, além de muitas outras condutas, que estão sob estudo. 

 

Mesa de Encerramento

Encerrando as atividades, a professora Thaís Guimarães (presidente da SPI) ressaltou o objetivo da entidade em levar educação continuada em infectologia aos mais diferentes locais do Estado de São Paulo, por meio do Caipirão e outros eventos semelhantes. Foram também anunciados os três trabalhos científicos premiados com uma inscrição ao Congresso Paulista de Infectologia de 2016, e a escolha de São José do Rio Preto como sede do Caipirão 2016.

Para finalizar, o professor adjunto da FMB/Unesp Paulo Câmara Marques Pereira destacou a alegria da comunidade acadêmica da Unesp em receber o Caipirão 2015, mantendo o compromisso com a SPI e as outras Escolas de Infectologia do Estado de São Paulo para promover em conjunto ciência, pesquisa, ensino e retorno à sociedade no âmbito da especialidade.