Depressão é um problema que assola muitas crianças

Não se imaginava há tempos atrás que um transtorno tão grave como a depressão pudesse atingir as crianças e adolescentes. Sabe-se hoje que elas são tão suscetíveis ao transtorno como os adultos. Crianças e adolescentes com depressão apresentam tristeza, falta de motivação, solidão, variação de humor, mudanças de comportamento com explosão e raiva, envolvem-se em brigas no esporte e na escola,

As psicólogas Ester R. Biguetti Pereira e Eliete Trombini (foto) entendem que pais e professores tem que ter uma atenção ? s mudanças no comportamento da criança, de maneira que se tenha um diagnóstico rápido. Para um tratamento eficaz e seguro da depressão infantil é fundamental o reconhecimento e o encaminhamento.

“A falta de informações dos pais e professores sobre a depressão infantil pode contribuir para aumentar as dificuldades dos alunos e causar inúmeras sequelas emocionais no futuro. É evidente que família e educadores não estão preparados para fazer um diagnóstico na criança. Cabe ressaltar que nem cabe este papel aos mesmos. No entanto, um olhar mais atento a essas crianças permite que sejam percebidos alguns sintomas, e quanto antes encaminhadas a um profissional mais cedo pode ser feito um diagnóstico adequado e preciso”, disse Eliete.

Ester Pereira enfatiza que as crianças e adolescentes com depressão apresentam tristeza, falta de motivação, solidão, variação de humor, mudanças de comportamento com explosão e raiva, envolvem-se em brigas no esporte e na escola, apresenta problemas nas relações sociais, queda no rendimento acadêmico. “As crianças e adolescentes com o transtorno não conseguem se concentrar. Apresentam também cansaço, falta de energia, dores de cabeça e barriga, insônia, sentimentos de culpa, baixa autoestima, choro excessivo. Já nos adolescentes como nos adultos podem aparecer pensamentos de morte e ideias de suicídio”, explica.

As psicólogas lembram que com o avanço tecnológico vemos pessoas mais e mais solitárias e é ai que percebemos a necessidade do viver em grupos, através de familiares, parentes e amigos e o transtorno de depressão leva a um baixo rendimento acadêmico e social, da criança e do adolescente.
“Este prejuízo pode ser levado para toda vida, principalmente quando a depressão não for tratada. Muitos episódios de depressão em adultos podem ter iniciado ainda na infância ou na adolescência. A depressão pode estar relacionada com fatores multifatorial, influencia genética, associada a fatores bioquímicos, hormonais e ambientais e também pode estar relacionada ao contexto familiar em que vivem”, coloca Ester Pereira.

“O tratamento da depressão na infância e na adolescência envolve a associação de medicamentos antidepressivos, psicoterapia e psicoeducação para orientar pais e professores. O papel do psicopedagogo pode ajudar na intervenção dando apoio a gestão escolar e familiar, auxiliando a criança depressiva”, emenda Eliete.

Elas elencam algumas interferências que podem ser feitas como treinar a criança para ter uma auto-avaliação menos severa e mais realista e identificar possíveis áreas que esteja em déficit no desempenho da criança e ajudá-la a suprir suas deficiências; estabelecer uma rotina para a realização das tarefas, importante para obter responsabilidades. Fazer um acordo entre pais e a escola com um horário para seus afazeres diários; incentivar o aluno a participação de grupos em sala de aula e motivar outros colegas para que o convide a participar do seu grupo, motivando assim ao convívio social; e incentivar e dar reforço positivo são outro ponto para ajudar a manter um aumento frequente das habilidades e da autoestima adequada.

Explicam que é fundamental para o professor se manter atualizado sobre os principais problemas e conflitos enfrentados por crianças e adolescentes com quem ele trabalha no dia e como são as intervenções para melhor aproveitar os problemas apresentados. O papel da família é fundamental na intervenção psicopedagógica. Um atendimento psicopedagógico precisa ser de iniciativa da família com apoio da escola e de outros profissionais em questão, pois, serão estes que deverão incentivar a criança junto ao tratamento.

“Os pais deverão passar por uma avaliação que ajudará a perceber os sintomas e eles ajudarão com a intervenção em casa, onde o psicopedagogo não está. As intervenções psicopedagógicas devem ser adequadas dando apoio ? criança que esta em tratamento, ajudando-a no que necessita para melhorar o seu emocional, autoestima e seu social. A participação da família no tratamento é fundamental para que esta criança adquira confiança nos seus afazeres e nela mesma”, enfoca Eliete.

“Temos que olhar o mundo infantil e entender seus sentimentos, sentindo e ajudando a buscar no mais íntimo de seu coração suas necessidades e o quanto são importantes para suas famílias, são amadas e desejadas. Demonstrando a importância delas para a família e para o mundo”, complementa Ester Pereira.