Confirmado os primeiros casos importados de dengue em Botucatu

A Vigilância Ambiental em Saúde (VAS), vinculada ? Secretaria Municipal de Saúde, está informando que os dois primeiros casos importados de dengue em Botucatu foram confirmados no bairro Chácara dos Pinheiros, setor Norte. Um caso é importado de Bauru e outro do município de Marabá, no Estado do Pará. As duas cidades onde foram contraídas a doença vivem uma epidemia de dengue.

A VAS realizou atividades de bloqueio no entorno das residências dos dois casos positivos importados, com o objetivo de impedir a transmissão da doença. Durante estas atividades não foi detectado nenhum novo caso suspeito que sugira que o mosquito local tivesse se infectado com estes pacientes e iniciado uma transmissão em massa.

Até a presente data, a Vigilância Ambiental atendeu 46 notificações de casos suspeitos de dengue. Além dos dois casos confirmados da doença, 22 foram descartados e outros 22 aguardam resultados laboratoriais.
Do total de notificações, 37% são suspeitas de casos importados, ou seja, pessoas que teriam contraído a doença fora de Botucatu. Por o município registrar alta infestação de aedes aegypti, a grande preocupação da Vigilância Ambiental é justamente com os casos importados de dengue, uma vez que os mosquitos locais podem picar pessoas que contraíram a doença em outra cidade Município, se infectarem, e transmitirem a doença para pessoas sadias.

“Por isso, mesmo que as pessoas não tenham se deslocado para fora de Botucatu nos últimos 15 dias, e apresentarem sintomas sugestivos de dengue como febre alta, dor de cabeça, dores nas articulações e nos músculos, vômitos e enjoos, elas devem procurar uma Unidade de Saúde para avaliação médica, evitando, assim, a automedicação”, orienta Gabriella Koppány González, coordenadora da VAS.

{n}Infestação é alta{/n}

Os agentes de saúde pública da VAS têm encontrado, em suas visitas, muitos recipientes com água parada e larvas do mosquito transmissor. No último levantamento feito em fevereiro pela VAS, em parceria com o Departamento de Parasitologia do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu, foi registrado que das 185 ovitrampas [armadilhas artificiais adaptadas em vasos pretos de plantas com uma palheta de madeira imersa em água] 64% delas continham ovos do inseto transmissor.

Em janeiro, na Avaliação de Densidade Larvária (Índice de Breteau), detectou-se que para cada cem imóveis visitados pelos agentes de saúde, em 2,7 imóveis encontravam-se larvas do mosquito. O resultado preconizado como satisfatório pela Organização Mundial de Saúde é inferior a 1.0. Isso coloca Botucatu em situação de alerta, principalmente em determinadas regiões da Cidade que apresentaram, na oportunidade, índices ainda mais altos de infestação do inseto. Foi o caso do setor Leste que registrou índice de 4,7 e do setor Central/Oeste, com percentual de 5,3.

“Somente em um recente bloqueio realizado no Jardim Bandeirantes, por exemplo, foram coletadas 39 amostras de larvas, um número considerado pela VAS muito alto, e que coloca em risco a saúde pública. Por isso, a população deve permanecer atenta, vistoriando suas casas, evitando deixar recipientes com água parada e que favoreça a proliferação do aedes aegypti”, alerta Valdinei Moraes Campanucci da Silva, supervisor de serviços de Saúde Ambiental e Animal da VAS.

A Vigilância Ambiental recomenda também aos moradores que lavem os recipientes expostos ? chuva com bucha, água e sabão. Mesmo em tempos de estiagem, os ovos do aedes podem permanecer nas bordas e laterais destes objetos até eclodirem, surgindo assim novos mosquitos potenciais transmissores da dengue.

“É importante esclarecer que temos estabelecido muito critério antes de realizar a nebulização, pois seu uso indiscriminado faz com que os mosquitos criem resistência ao inseticida como já aconteceu em algumas regiões de São Paulo”, esclarece Silva.
A Vigilância Epidemiológica em Botucatu informa ainda que o teste de sorologia para o diagnóstico de dengue pode ser feito apenas a partir do sexto dia de apresentação dos sintomas. Para qualquer esclarecimento a pessoa deve entrar em contato com a VAS (telefones: 3811-1103 ou 150) ou Vigilância Epidemiológica (telefone: 3811-1105).