Cidades da região querem se livrar das ambulâncias do SAMU

Se em Botucatu a utilização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) as instalações do ARE (Ambulatório Regional de Saúde), localizadas na Avenida Santana, 323, no Centro, está atendendo as expectativas, o mesmo não está ocorrendo em outras cidades da região onde as prefeituras querem se livrar das ambulâncias, por não terem condições financeiras para arcar com as despesas.

O prefeito da cidade de Pratânia, Marcos Fernandes Correia, alega que foi enganado pelo Ministério da Saúde, pois, segundo ele, não foi informado dos reais gastos para manter a equipe de atendimento de urgência e emergência, que é muito alto. Diz que o gasto mensal para manter a unidade de saúde, é de R$ 25 mil e a Cidade entra com R$ 12.500,00. O restante vem do Governo Federal. Porém, a Cidade que tem pouco mais de 4 mil habitantes, não tem recurso para cobrir a parte que lhe cabe.

E isso não acontece somente em Pratânia. A prefeita de Conchas, Adriana Dearo Del Bem, que também recebeu uma ambulância de suporte avançado e UTI móvel, que tem um custo mais alto, também quer devolver o veículo, que está parado no pátio do hospital da Cidade, sujeito as intempéries do tempo. Adriana Del Bem também afirma que foi enganada pela promessa de um serviço de UTI móvel, com pequeno custo para o município. Entretanto afirma que precisa de R$ 100 mil para manter a unidade. “Isso é maior do que o gasto que temos para manter o hospital”, disse a prefeita.

Se por um lado os prefeitos de Pratânia e Conchas estão insatisfeitos com suas unidades do SAMU, outros administradores demonstram interesse em adquiri-las. Entre os municípios que se encaixam nessa situação está Bofete, que tem 9 mil habitantes e a Saúde conta com 3.800 atendimentos por mês. Desses casos, 20% são de urgência e emergência. O prefeito Claudécio José Ebúrneo, o Torão, entende que “vale a pena arcar com o custo de R$12 mil mensais para a Saúde do município”.

Também a Cidade de Itatinga quer o SAMU, de acordo com o prefeito municipal, Ailton Fernandes Faria. “O serviço iria completar o atendimento ? população, feito pelo hospital de cidade”, frisa o chefe do Executivo da Cidade que possui, aproximadamente, 17 mil habitantes.

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O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é o principal componente da Política Nacional de Atenção ? s Urgências, criada em 2003, que tem como finalidade proteger a vida das pessoas e garantir a qualidade no atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde).

A política tem como foco cinco ações: organizar o atendimento de urgência nos pronto-atendimentos, unidades básicas de saúde e nas equipes do Programa Saúde da Família; estruturar o atendimento pré-hospitalar móvel; reorganizar as grandes urgências e os prontos-socorros em hospitais; criar a retaguarda hospitalar para os atendidos nas urgências; e estruturar o atendimento pós-hospitalar.

O serviço realiza o atendimento de urgência e emergência em qualquer lugar: residências, locais de trabalho e vias públicas, contando com as Centrais de Regulação, profissionais e veículos de salvamento. Com o SAMU, tem reduzido o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e as sequelas decorrentes da falta de socorro precoce.

O serviço funciona 24 horas por dia com equipes de profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e socorristas que atendem ? s urgências de natureza traumática, clínica, pediátrica, cirúrgica, ginecológico-obstétrica e de saúde mental da população.

A ligação é feita ao telefone 192, sendo atendida por técnicos na Central de Regulação que identificam a emergência e, imediatamente, transferem o telefonema para o médico regulador. Esse profissional faz o diagnóstico da situação e inicia o atendimento no mesmo instante, orientando o paciente, ou a pessoa que fez a chamada, sobre as primeiras ações.

Ao mesmo tempo, o médico regulador avalia qual o melhor procedimento para o paciente: orienta a pessoa a procurar um posto de saúde; designa uma ambulância de suporte básico de vida, com auxiliar de enfermagem e socorrista para o atendimento no local; ou, de acordo com a gravidade do caso, envia uma UTI móvel, com médico e enfermeiro. Com poder de autoridade sanitária, o médico regulador comunica a urgência ou emergência aos hospitais públicos e, dessa maneira, reserva leitos para que o atendimento de urgência tenha continuidade.