Chuvas facilitam reprodução do caramujo africano

 

Moluscos se espalham por todos os lugares e em alguns municípios já se tornaram verdadeiras pragas urbanas e na época de estiagem são pouco vistos e apenas casos esporádicos são atendidos, porém, na estação das chuvas aparecem com muito mais freqüência e em grande número

 

As chuvas que estão caindo no município nos últimos trazem de volta um sério problema de saúde pública: proliferação do caramujo africano. As regiões atacadas são os ribeirinhos (rios Tanquinho e Lavapés). Os moluscos deixam o mato úmido e aparecem nas calçadas, muros e quintais das residências. A reportagem do Acontece fez imagens desses moluscos na região do Tanquinho.

Como no período de chuvas sua reprodução é acelerada, o que aumenta as chances de contágio de doenças pelo ser humano, a equipe da Vigilância Ambiental em Saúde (VAS), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, busca alertar a população sobre os perigos que o caramujo gigante africano pode causar à saúde e realiza um trabalho de prevenção e orientação.

Em entrevista já dada sobre o molusco, Rodrigo Iais coordenador da Vigilância Ambiental em Saúde, que faz um trabalho preventivo sobre os caramujos,  explica que que os moluscos se espalham por todos os lugares e em alguns municípios já se tornaram verdadeiras pragas urbanas. Na época de estiagem eles são pouco vistos e apenas casos esporádicos são atendidos, porém, na estação das chuvas aparecem com muito mais freqüência e em grande número.

 “Como não tem predadores naturais o caramujo africano pode se proliferar e procuramos evitar o uso de produtos químicos (veneno), pois podem matar também, caramujos nativos, além de outros animais e até poluir os rios. Por isso o trabalho é feito com muito critério e cuidado.  Os (caramujos) capturados têm que ser incinerados”, coloca Iais.  Qualquer dúvida a pessoa deve entrar em contato como a Vigilância Ambiental em Saúde de Botucatu  na Rua Major Matheus, nº 07 – Vila dos Lavradores, ou pelos telefones 3813-5055 ou 150.

 

O caramujo

Esse caramujo gigante africano é um molusco nativo do nordeste da África. Possui alta capacidade reprodutiva (coloca até 1600 ovos por ano) e apetite voraz, alimentando-se de frutas, verduras, hortaliças, papelão, plástico e até mesmo tinta de parede. Além disso, não possui predador natural, o que favoreceu sua rápida proliferação por 23 estados brasileiros, sendo atualmente considerada uma praga urbana. Embora pareçam inofensivos trazem perigo eminente à saúde pública, podendo atingir 15 a 20 cm de altura, 10 a 12 cm de comprimento e pesar 200 gramas.

É um hospedeiro intermediário de dois vermes que podem causar distintas doenças. Uma é a angiostrongilíase abdominal, que provoca fortes dores abdominais, febre, perda do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino, hemorragias e em alguns casos, levar à morte. A outra doença é a meningite eosinofílica, que ocorre quando o verme se aloja no sistema nervoso central do paciente, provocando a inflamação das meninges (membranas que recobrem o cérebro). Tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez da nuca e distúrbios do sistema nervoso.

Os vermes podem ocorrer tanto no interior dos caramujos, quanto no muco que eles secretam para se locomover. Por isso a pessoa não deve pegar o caramujo sem proteger as mãos com luvas ou sacos plásticos; higienizar frutas, verduras e hortaliças antes de ingeri-las; não comer, não beber, não fumar e não levar a mão à boca durante o manuseio do caramujo e conservar quintais e terrenos limpos, pois os caramujos africanos gostam de ficar embaixo de folhas, de entulhos, em lugares úmidos ou sem incidência de luz solar.

A introdução do molusco aconteceu em 1996 quando alguns produtores goianos tentaram a formação de uma cooperativa para criação de escargot, no entanto, não obtiveram êxito. O insucesso comercial provocou desistência na criação e a soltura inadequada do molusco no meio ambiente, facilitando sua disseminação.