Campanha busca orientar e prevenir o suicídio

Profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs – foto), da Unesp de Botucatu,  estão engajados na Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio configurada como “Setembro Amarelo”, promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e outras entidades ligadas à saúde. O objetivo é simbolizar o compromisso com a vida, uma vez que a cor amarela é sinônima de vida, luz e alegria, contraponto simbólico ideal contra este problema

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o mundo. No Brasil são quase 12 mil casos por ano. Botucatu teve o registro de 191 notificações de tentativas de suicídio lançados no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) no ano de 2014. No mesmo ano houve 13 óbitos por suicídio no Município, algo em torno de dez suicídios por 100 mil habitantes, que é quase o dobro da taxa nacional de 5,8 suicídios por 100 mil habitantes no ano de 2012, dados estes fornecidos pelo Ministério da Saúde.

O Brasil é o quarto país latino-americano com o maior crescimento no número de suicídios,  segundo relatório divulgado na última semana pela OMS. Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes – alta de 17,8% entre mulheres e 8,2% entre os homens. Chama a atenção o fato de o número de mulheres que tiraram a própria vida ter crescido mais (17, 80%) do que o número de homens (8,20%) no período de 12 anos. A mortalidade de pessoas com idade entre 70 anos ou mais é maior, de acordo com a pesquisa.

Por meio das redes sociais, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) lançaram a Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio. As entidades fazem um pedido aos médicos e sociedade para postarem fotos com destaque à cor amarela, marcando com a hastag#AcreditoNaVida.  O objetivo do CFM e da ABP é chamar atenção para o tema e simbolizar o compromisso com a vida, já que a cor amarela significa vida, luz, alegria e, para os organizadores, é o contraponto simbólico ideal do problema.

A ação íntegra uma estratégia que se estenderá pelos próximos meses e que busca dar visibilidade aos problemas relacionados à prevenção ao suicídio. Em outubro, serão lançadas publicações voltadas para os médicos e a população em geral, com informações sobre o perfil de potenciais suicidas, quadros que podem levar ao problema e onde buscar orientação. Pela internet, as entidades médicas também mobilizarão a categoria a despertar interesse no tema.

De acordo com o 3º vice-presidente do CFM e coordenador da Câmara Técnica de Psiquiatria, Emmanuel Fortes, é possível prevenir o suicídio, desde que os profissionais de saúde de todos os níveis de atenção estejam aptos a reconhecer os fatores de risco presentes e que as autoridades desempenhem seu papel neste processo.

O presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva, chama a atenção para a subnotificação dos casos, pois, segundo ele, grande parte das tentativas de suicídio não chega aos registros oficiais por não existir notificação compulsória. “Ainda faltam políticas públicas voltadas especialmente para o grupo, entre elas ambulatórios especializados e um serviço telefônico gratuito e nacional que funcione 24 horas. Além desses serviços, a OMS acrescenta medidas como reduzir acesso a armas de fogo, pesticidas e medicamentos, principais métodos usados na prática”, disse.