Botucatuense integra o Projeto Rondon em 2014

Diversos Brasis em um único país. Esta foi a percepção que o jornalista Flávio Fogueral vivenciou nos últimos quinze dias ao participar do Projeto Rondon- Operação Guararapes 2014, iniciativa do Ministério da Defesa para a promoção do desenvolvimento social, educacional e econômico de diversas regiões brasileiras. A iniciativa foi criada ainda na década de 1960 e voltou a ser realizada em 2005.

Fogueral integrou a delegação da Universidade Sagrado Coração (USC), de Bauru – onde cursa Jornalismo – junto com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) Campus Inconfidentes.

O projeto reuniu universidades de diversos Estados Brasileiros. A Operação Guararapes abrangeu principalmente localidades do nordeste brasileiro, em especial os que apresentam Índice de Desenvolvimento Humano considerado baixo.

Do curso de jornalismo, ele esteve em contato com a cultura nordestina e a realidade social vivida pela população de Palmeirina. “Apesar de estarmos no mesmo país, há uma diferença social gigantesca e gritante. Foi uma experiência em que cada participante do Projeto Rondon levou consigo e com certeza mudou a percepção de nos vermos como brasileiros”, ressalta.

O município escolhido para a atuação do grupo foi Palmeirina, no interior de Pernambuco, distante 280 quilômetros da capital Recife. Limítrofe de Garanhuns e Caetés (lugar de nascimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) tem população estimada em 10 mil habitantes. O IDH é estimado em 0,549 segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Economicamente, o município centra suas atividades no varejo e agricultura com o cultivo de feijão, banana, castanha de caju; além da pecuária.

Durante os quinze dias no interior pernambucano foram realizadas atividades de promoção da saúde, economia, educação, fomento à cultura local e no agronegócio. O botucatuense foi responsável por palestras na área de empreendedorismo, comunicação e deu suporte à divulgação das ações do grupo instalado no local.

As ações dos universitários-voluntários foram conhecidas in loco pelo ministro do Superior Tribunal Militar, José Barroso Filho. Na oportunidade, Fogueral entregou o livro de fotografias “Imagens de Botucatu” (de Marcelino Dias) como lembrança ao ministro e autoridades militares presentes.

Além das oficinas e palestras realizadas na zona urbana, alunos e professores percorreram também as comunidades rurais. Conheceram métodos de plantio desenvolvidas pelos agricultores da região. Nas comunidades rurais estiveram em contato com a tradição religiosa do pernambucano.

“Um dos distritos rurais, chamado de Águas Claras, fazia limite com Alagoas e estava próximo ao antigo Quilombo dos Palmares. O relevo, similar ao da cuesta botucatuense, proporcionava uma paisagem viva, de extrema beleza natural. Em um dos morros estava uma capela em homenagem a Padre Cícero; sendo que nas casas era comum ao menos uma imagem do padroeiro”, relata Fogueral.

Outro ponto frisado pelo jornalista foi o forte apelo cultural regional. Desde o frevo a estilos típicos como o xote e xaxado, o grupo de universitários fez um resgate das tradições artísticas como o artesanato, a música e o teatro, centrado nas dificuldades de vida do sertanejo.

“O Brasil apresenta esta rica diversidade e o que chega a nós é pelos meios de comunicação ou através da indústria cultural. Mas vivenciar como é feito, por pessoas daquela região, muda nossa perspectiva de como nossas tradições surgem”, finaliza Fogueral.